quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

CPI do Tráfico de Pessoas realiza audiência no Acre

 
Por Anne Moura
Do Portal Amazônia

 
Rio Branco/AC - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas realizou nesta quinta-feira, (28), uma audiência pública. O objetivo é discutir os problemas do tráfico de pessoas nas regiões fronteiriças do Acre e, além disso, adicionar mais informações no relatório enviado ao Ministério Público Federal (MPF) a respeito da rede de exploração sexual descoberta pela Operação Delivery, da Polícia Civil.

A audiência, realizada na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), contou com a participação de parlamentares federais e de autoridades do Estado ligadas no trabalho da prevenção e combate dos crime. Os acusados convocados para a audiência, o vereador Fernando Martins e o pecuarista Assuero Veronez, não estiveram no ato. O advogado do pecuarista esteva presente, mas optou por não falar sobre o caso. Houve, ainda, uma presença marcante de civis, que esperavam uma resolução definitiva da situação crítica.

Segundo o presidente da CPI, deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA), o interesse de vir ao Estado é principalmente, pela Operação Delivery. “Depois nós recebemos um apelo de vários deputados acreanos, falando da importância de ajudarmos. Em decisão coletiva, resolvemos olhar de perto e falar com a sociedade, além de ajudar as instituições que já estão à frente da investigação”, explica.

Ele acredita, ainda, que muitas denúncias não foram feitas a respeito do caso, e espera a consciência da sociedade em relação ao caso. “Pelo que entendemos existem muitas denúncias envolvendo pessoas importantes. Queremos ajudar no esclarecimento, para “desnudar esse tipo de crime geralmente camuflado”, declara.
 
Informações e tráfico humano
 
Jordy declara que a CPI já se municia de mais informações sobre o caso para complementar o relatório entregue ao MPF. “A [Operação] Delivery não terminou, as investigações continuam e acredito que vamos alcançar mais gente”, declara.
 
A caracterização de tráfico humano no Estado também foi pauta e, segundo o deputado, toda a investigação feita no Estado chegará aos demais membros da CPI. “A partir das conclusões do que ouvirmos e investigarmos, chegaremos a mais pessoas. Além disso, o nosso objetivo é tirar do brasileiro a sensação de que nada é punido. Queremos conscientizar a população que tráfico de humanos não é coisa de novela”, enfatizou.
  
De acordo com o procurador e Coordenador de Defesa da Infância e Juventude do Ministério Público Estadual do Acre (MPE/AC), Carlos Maia, o Acre passa por uma fase turbulenta em meio a crimes de exploração sexual. O procurador afirma, porém, que considera tardia a chegada dos membros da CPI. “Eu lamento que a CPI tenha chegado só agora, depois da entrega do relatório. Mas queremos ver quais são as propostas dela [da CPI], e ver no que podemos contribuir, seja com estratégias ou ações, para que o tráfico seja reduzido”, complementa.
 
“O congresso não ficaria de braços cruzados”
   
Para o deputado estadual Gladson Cameli (PP/AC), a intenção é que, com a CPI, crimes que atentem à integridade humana se tornem menos frequentes. “A CPI passa por todos os estados, com o que foi divulgado recentemente, o Congresso não poderia ficar de braços cruzados”, declara.
 
De acordo com o secretário de Estado de Direitos Humanos, Nilson Mourão, há, em todo o país, um grande número de tráfico de pessoas para variados fins. Para isso, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEJUDH) já realiza várias trabalhos educativos no estado. “O Brasil já tem uma política pública de enfrentamento dessa questão e, aqui no Acre, nós estruturamos dois núcleos para o combate: um na cidade de Brasileia e outro em Cruzeiro do Sul”, declara.
 
Ele confirma, ainda, um caso de tráfico de pessoas, registrado em Cruzeiro do Sul. Na situação, a vítima foi resgatada pelas autoridades competentes. “Recebemos apenas uma denúncia concreta, partida de familiares que procuraram o núcleo. O núcleo informou à Polícia Federal e ao Ministério Público e houve toda uma ação de resgate. O que nós queremos é erradicar essa triste situação do estado”, complementa.
  
Tráfico no País
  
Segundo o vice-presidente da CPI do Tráfico de Pessoas, deputado federal Luiz Couto (PT/PB), o tráfico de seres humanos tem crescido no país. “Na Bahia, verificamos redes que estão ganhando dinheiro em cima da dor das pessoas. Aqui, no Acre, também verificamos a existência de uma rede de exploração sexual e de mais uma relacionada ao tráfico de pessoas. Nós estamos aqui para ouvir as vítimas, além dos depoimentos já prestados ao MP e à justiça. Nós já verificamos que eles têm consistência”, declara.
  
Couto complementa que, até o mês de maio, a conclusão do caso será destacada com um seminário com o objetivo de acrescentar à legislação mais rigidez na punição. “Hoje, quem faz o tráfico de pessoas só pode ser punido, segundo a lei, se for para trabalho escravo e exploração sexual. Nós queremos modificar isso, para que aliciadores, intermediadores e olheiros também sejam penalizados”, destaca.
   
Operação Delivery
  
A Operação Delivery, iniciada pela Polícia Civil do Acre, iniciou em Rio Branco no dia 17 de outubro de 2012. À época, sete acusados de operar uma rede de prostituição e exploração sexual foram presos. A rede envolvia mulheres entre 14 e 18 anos e a denúncia foi protocolada na 2ª Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Rio Branco em 21 de novembro de 2012.
  
Os envolvidos serão separados em dois grupos distintos, ainda durante o processo: núcleo de agenciadores – responsáveis por intermediar entre clientes e garotas de programa e, ainda, procurar por mulheres com interesse na atividade; e núcleo de clientes – que usufruíam do serviço disponibilizado.
 
 

PPS realiza encontro de prefeitos e vereadores nos dias 11, 12 e 13 de abril

  
Do Portal PPS
 
O PPS realizará encontro nacional de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores nos 11, 12, 13 de abril, em Brasília, para discutir a estratégia de governança do partido em todo o país. A legenda elegeu nas eleições municipais 120 prefeitos e 1862 vereadores em todos os estados da federação. Paralelo ao evento, o partido também promoverá uma conferência politica que reunirá lideranças de diversos partidos.
 
O evento “Outra Forma de Ser, Outra Forma de Governar” será realizado em Brasília, no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados. A princípio o evento estava marcado para 28 de fevereiro e 1º de março, mas os organizadores acharam melhor transferi-lo para o mês de abril, junto com a Conferência Política, que também será realizada na Capital Federal.
 
Para o deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), o encontro será importante para que o PPS, que comandará, inclusive a prefeitura da capital do Espírito Santo, Vitória, e uma dezena de cidades de significativa importância, apresente ao país seu projeto político para as cidades que começou a comandar a partir de 1° de janeiro.
 
“É preciso que apresentemos um novo olhar na gestão de políticas públicas, sem repetir os erros que precisam urgentemente ser abandonados. É um grande desafio, mas o partido está consciente dessa missão”, destacou o parlamentar, que é um dos organizadores do evento.
 
Integração
 
Na avaliação de Wober Junior, membro da Executiva Nacional e organizador do encontro, a reunião será importante para a troca de experiência e para a integração político-parlamentar do partido em nível de todos os municípios comandados pelo PPS. “Para produzir uma política que reflita o que pensamos para o Brasil de agora e do futuro, é preciso uma maior integração, mais entrosamento do partido com os executivos locais e suas bancadas de vereadores e de deputados”, reforçou o dirigente.
 
Durante dois dias, os eleitos nas últimas eleições irão debater vários temas, dentre eles gestão democrática, política urbana, investimento público, a questão da sustentabilidade, redução da desigualdade, sociabilidade e outros assuntos importantes para avançar na conquista da cidadania.
 
Palestrantes
 
Mesmo em fase de organização, Wober Junior confirmou a participação de vários palestrantes, dentre eles Augusto de Franco, que é autor de dezenas de livros e textos sobre desenvolvimento local, capital social, democracia e redes sociais, e o ex-prefeito de Natal (RN), Aldo Tinoco , um dos maiores estudiosos no Brasil sobre política urbana e saneamento.
 
 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

CPI busca apoio do Itamaraty para combater tráfico de pessoas na fronteira Norte

 
Brasília/DF - Deputados que compõem a Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o Tráfico de Pessoas no país reuniram-se nesta terça-feira (26) com o embaixador Pedro Bório, coordenador da Assessoria Especial de Assuntos Federativos e Parlamentares do Ministério das Relações Exteriores, para debater a produção um acordo de cooperação entre o Brasil e a República do Suriname, que faz fronteira com o Norte do Brasil, visando impedir o tráfico de pessoas entre os dois países. Denúncias apontam redes internacionais que utilizam o Suriname como rota para o tráfico humano, através do Oiapoque, no Amapá.
     
O embaixador se comprometeu a estender as conversações com embaixadores do Departamento da América Latina do Itamaraty, em uma reunião que já deve acontecer na próxima semana. Para o presidente da CPI, deputado Arnaldo Jordy, “quadrilha especializadas em traficar pessoas se valem da condição de desamparo social e econômico das vítimas da região para aliciar e capturá-las, principalmente para a exploração sexual em boates no Suriname”. Além do deputado paraense, também participaram da reunião a relatora da CPI, deputada Flávia Morais (PDT/GO) e a deputada Janete Capiberibe (PSB/AP).
 
     
Assessoria de Comunicação
Gabinete Dep. Arnaldo Jordy
jordycamara23@gmail.com
(61) 3215-1376 / 8276-7807

 

CPI realiza diligência no Acre para investigar denúncias de tráfico de pessoas

  
Com informações
da Agência Câmara
 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Federal, que investiga do Tráfico de Pessoas no Brasil fará diligência em Rio Branco/AC nesta quinta-feira (28).
 
Segundo o presidente da CPI, deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), uma delegação de deputados do Acre procurou a comissão com farta documentação para denunciar um esquema de exploração e tráfico de crianças e adolescentes para fins de abuso sexual. O esquema envolveria empresários, dirigentes de órgãos de classe, secretários de Estado, parlamentares e até integrantes do Judiciário do Estado, alvos da operação Delivery da Polícia Federal.
  
De acordo com o deputado, a CPI possui prerrogativas constitucionais que podem dar celeridade ao processo de investigação, muitas vezes proteladas por influências políticas ou econômicas.
 
Relatório da ONU    
 
Um relatório preliminar divulgado pelo Ministério da Justiça, em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), mostra que entre 2005 e 2011 houve registro de 475 casos de tráfico de pessoas no Brasil. Desse total, 337 sofreram exploração sexual e 135 foram submetidas a trabalho escravo.
 
Segundo o relatório, diversos inquéritos, com características de tráfico de pessoas, foram abertos no Acre, e foi constatado que o destino da maioria das pessoas traficadas é a Espanha, seguido de Portugal, Estados Unidos.
 
Em denúncia, o promotor Mariano Jeorge de Sousa Melo, titular da 1ª Promotoria de Justiça Cível do Acre, relata formação de quadrilha na fronteira brasileira do Acre com a Bolívia para explorar mulheres, meninas e meninos, com idade entre 14 e 18 anos. “Existem indícios de que meninas eram levadas para fora do País, além da Bolívia; quem sabe para Europa e os Estados Unidos. Mas tudo isso precisa ser investigado”, afirmou o delegado Nílton Cesar Boscaro, responsável pela operação policial.
 
Em 2011 foi criado no Acre o Comitê Estadual de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Na opinião de Jordy, os integrantes da CPI precisam tomar conhecimento dos trabalhos do comitê, além de realizar audiências para detectar a realidade local e as perspectivas de combate ao tráfico humano.
 
Rede do crime
  
A Operação Delivery foi iniciada em Rio Branco no dia 17 de outubro de 2012, com a prisão de sete acusados de operar uma rede de prostituição e exploração sexual, constituída na cidade envolvendo mulheres entre 14 e 18 anos. A denúncia foi protocolada na 2ª Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Rio Branco em 21 de novembro do ano passado. A operação é resultado de um trabalho conjunto entre a Polícia Civil e o Ministério Público do Acre (MPE).
 
Foram 2.880 horas de gravação com autorização judicial que expõem a forma de atuação do grupo. Todo material está reunido em um grande dossiê que detalha os diálogos dos aliciadores com outras pessoas que usavam da rede de exploração sexual de adolescentes. O Ministério Público dividiu os 22 acusados de integrar a rede entre grupos de aliciadores e clientes. Porém, todos são acusados de crimes contra a dignidade sexual e, se condenados, podem cumprir penas que variam de oito a 15 anos de prisão em regime fechado.
 
 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Presidente de CPI comemora II Plano de Enfrentamento, mas diz que medidas vêm tarde


Do Portal PPS
Por William Passos

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Tráfico de Pessoas, deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA), elogiou hoje (26) o lançamento do II Plano Nacional de Enfrentamento ao tráfico humano. No entanto, disse que as medidas são tardias. Em relação ao relatório divulgado pelo Ministério da Justiça sobre as ocorrências, perfil das vítimas deste crime e as rotas das quadrilhas, considerou que não há novidade. No ano passado, o MJ já havia divulgado um documento preliminar sobre o tráfico de pessoas no Brasil.
   
A afirmação foi feita durante entrevista coletiva concedida a jornalistas no plenário da Comissão. Participaram do encontro, além de Jordy, as deputadas Flávia Morais (PDT/GO), que é relatora da comissão, Carmen Zanotto (PPS/SC) e João Campos (PSDB/GO). Estes dois últimos também integram o colegiado.

“Temos que saudar este plano. Mas é bom dizer que ele é um conjunto de diretrizes que estava engavetado há mais de um ano e que foi alvo de cobranças de entidades civis e da própria CPI. Além disso, a comissão vai colaborar para enfrentar o problema do tráfico, como já vem fazendo desde que foi instalada”, disse o parlamentar.
 
A CPI começou a funcionar em abril de 2012 e montou um grupo responsável por elaborar um conjunto de propostas de Lei para aperfeiçoar a legislação.
 
“Já temos elementos para construir uma legislação que dificulte as ações das quadrilhas. Hoje, é obsoleto o conjunto de regras que versam sobre este tema. É inconcebível, por exemplo, que uma criança de 12 anos tome um ônibus em Belém, no Pará, apenas com algum documento de identificação, e desembarque em qualquer outra capital do país sem que necessite a autorização do seu tutor”, exemplificou Arnaldo Jordy.
  
Balanço

À imprensa, o presidente da CPI do Tráfico de Pessoas apresentou um balanço das últimas atividades realizadas por seus membros. A comissão visitou entre a semana passada e a atual as cidades baianas de Salvador e Monte Santo e os municípios paraenses de Altamira e Belém.
 
Durante as diligências, foram realizadas diversas audiências públicas e oitivas de vítimas e acusados de tráfico humano. Entre os depoentes estavam a empresária Carmen Tospchal, que é investigada por intermediar a adoção ilegal de crianças no sertão baiano. A CPI também ouviu o casal preso em Salvador por fazer parte de uma rede internacional que recrutava jovens brasileiras para se prostituírem na Espanha.
 
Belo Monte 
 
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito também fez um relato sobre o que considerou uma “tragédia anunciada” no canteiro de obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu. Lá, há cerca de 10 dias, foi desarticulada uma quadrilha que aliciava jovens no Sul do Brasil para atuarem como dançarinas em uma boate que fica ao lado do empreendimento federal. No entanto, quando lá chegavam, eram submetidas a cárcere privado e obrigadas a se prostituírem.
 
Jordy esteve no local na última segunda-feira (25) e disse que vai reunir os membros da comissão para discutirem a possibilidade de aprovarem um pedido a ser enviado ao Ministério Público com sugestão para suspender as obras da usina até que as condicionantes para erguer o empreendimento sejam cumpridas. Segundo ele, a população masculina aumentou consideravelmente sem a respectiva preocupação das autoridades com o problema da exploração sexual, tráfico de drogas e alcolismo.
 
O presidente disse que o número de prostíbulos na região de Belo Monte quadriplicou desde o inicias das obras.
 
 

OAB apresentará sugestões de leis à CPI do Tráfico de Pessoas

 
Portal OAB
   
Brasília/DF - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcus Vinicius Furtado, manifestou o apoio da entidade aos trabalhos que vêm sendo realizados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas no Brasil e colocou a Comissão Nacional de Direitos Humanos da entidade à disposição para sugerir projetos de lei de atualização do ordenamento jurídico para coibir crimes relacionados ao envio ilegal de pessoas ao exterior.
 
O assunto foi tratado em audiência nesta terça-feira na sede da OAB com o presidente da CPI, deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA), e seus integrantes. Na reunião, Jordy explicou que a Comissão busca desnudar a rede ilegal que atua mediante crimes camuflados, não visíveis aos olhos da sociedade, com legislação e aparelhamento do Estado extremamente deficientes.
   
Ainda segundo o presidente da CPI, a legislação que trata do tema prevê, basicamente, o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, nada falando sobre as demais modalidades. Para o presidente da CPI, é exatamente neste ponto que a colaboração da OAB é esperada. “Viemos pedir o apoio da OAB porque um dos desafios da CPI é apresentar ao Congresso Nacional projetos de atualização do arcabouço jurídico que trata do tráfico”, explicou Arnaldo Jordy na audiência. A ideia é propor projetos de lei com alterações sugeridas ao novo Código Penal, Código de Processo Civil, Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ao Estatuto do Estrangeiro.
 
O presidente da OAB parabenizou os trabalhos da CPI e colocou a OAB à disposição para todas as medidas necessárias para criminalizar de forma mais precisa esse tipo de conduta. “O tráfico de pessoas, em suas diversas modalidades, é um tema a merecer urgente tipificação penal, pois ofende gravemente a dignidade da pessoa humana”, afirmou Marcus Vinícius.
 
A CPI encontra-se agora na fase das diligências e de realização de oitivas em vários Estados, para as quais o presidente da OAB também determinará a participação de representantes da OAB. Entre as principais ocorrências registradas no Brasil está o aliciamento de meninas por de agências de modelo ou por olheiros em concursos de miss de colégios ou cidades pobres do interior do país. As agências muitas vezes convencem as famílias a enviar as jovens ao exterior, onde elas chegam iludidas com a promessa de dinheiro e fama, mas já devendo o valor das passagens e dos cursos que receberam no Brasil. “Sem saída e alguém para recorrer no exterior, muitas dessas jovens acabam indo para a prostituição de luxo”, acrescentou o deputado.
 
Também participaram da reunião na OAB os seguintes integrantes da CPI: deputados Janete Capiberibe (PSB-AP); Severino Ninho (PSB-PE) e Miriquinho Batista (PT-PA).
 

CPI vai propor modernização da legislação sobre tráfico de pessoas

 
Da Agência Câmara
 
Em encontro com promotores de Justiça do estado da Bahia, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas da Câmara, deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), afirmou que a comissão vai propor uma série de ajustes e mudanças na legislação atual para coibir e dificultar o tráfico humano no País.
   
Reunião da CPI do Tráfico de Pessoas em SalvadorDurante o encontro ocorrido no Ministério Público do Estado, na manhã desta quinta-feira (21), a CPI trocou informações com promotores que atuam na investigação do caso das adoções irregulares de crianças registradas no município de Monte Santo, que fica a 370 Km de Salvador.
   
Promotores que acompanharam de perto a situação estão analisando dados bancários, fiscal e telefônico da empresária Carmen Topschall, suspeita de intermediar a transferência de crianças de Monte Santo para São Paulo. “Tenham a total certeza que esta CPI fará o que for preciso: mexer nos Códigos Penal, de Processo Penal, na Lei de Imigração ou no Estatuto da Criança e Adolescentes (ECA) para mudar este quadro trágico e real do tráfico de pessoas no Brasil”, disse Jordy.
 
Para alguns membros da Comissão, há muito ainda o que se investigar em relação a Carmen Topschall. Perguntado se a CPI se limitava a investigar se há ganhos financeiros por parte da agenciadora nas adoções de menores, o vice-presidente da comissão, deputado Luiz Couto (PT-PB), respondeu que não. “Para nós se houver o desrespeito ao cadastro nacional de adoção, o que ficou evidente, configura-se uma ilegalidade e, por isso, vamos aprofundar nossa apuração neste caso de Monte Santo”, acrescentou Couto.