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quarta-feira, 14 de maio de 2014

ONG relata desinformação na cobertura da imprensa sobre tráfico de pessoas

 
Da Agência Câmara
 
Os textos jornalísticos não retratam de maneira adequada o problema do tráfico de pessoas devido à sua complexidade e à falta de informações sobre o assunto. Essa foi a conclusão de um estudo que integra o projeto de cooperação técnica do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime e da Secretaria Nacional de Justiça. A pesquisa foi realizada pela organização não governamental Repórter Brasil.
 
A ONG analisou 665 textos publicados em jornais de circulação nacional entre os meses de janeiro de 2006 e julho de 2013.
 
O presidente da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, lembrou que existe muita desinformação sobre o tema e que os repórteres acabam repassando isso para o leitor em suas matérias. Ele disse que alguns conceitos são divulgados imprecisamente, como os de que o tráfico é sempre para o exterior e que afeta só mulheres e pobres. "Há uma falta de informação sistemática que acaba aparecendo”, afirmou.
   
Leonardo Sakamoto disse que outro ponto constatado pelo estudo é que a mídia ainda é muito pautada pelo Poder Público. “A mídia não desenvolve pesquisas e investigações com frequência por conta própria, mas acaba sendo pautada pela agenda do Judiciário, do Executivo, do Legislativo e da Polícia", declarou.
 
Entre os anos de 2005 e 2011, 475 pessoas foram traficadas no Brasil. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reconhece, no entanto, que o crime ainda é pouco registrado pelos órgãos de enfrentamento e que, por isso, os números podem ser maiores.
 
Invisibilidade
 
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Pessoas da Câmara, deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), afirmou que os trabalhos da comissão mostram que esse é um problema muito mais comum do que se pensa.
  
"As pessoas em geral têm ideia de que o tráfico de pessoas é uma coisa muito distante, muito episódica, mas, na verdade, não é. Esse crime é infinitamente mais recorrente, mais presente, mais cotidiano no tecido social brasileiro do que se imagina. Ele talvez não aparente isto porque é um crime disfarçado, em que todos os criminosos, ou quase todos, se apresentam como benfeitores", disse o deputado.
 
O tráfico de pessoas acontece em todo o mundo e tem por finalidade exploração sexual, trabalho escravo, remoção de órgãos, mendicância forçada, adoção ilegal de crianças ou casamento forçado. O crime afeta mulheres, crianças, adolescentes, homens, travestis e transexuais, ainda que de maneira desigual.
 
A pesquisa “Tráfico de pessoas na imprensa brasileira” pode ser consultada na íntegra no site da ONG Repórter Brasil, assim como o Guia para jornalistas com referências e informações sobre enfrentamento ao tráfico de pessoas.