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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

ARTIGO - Eike tem razão, o Brasil precisa mudar

  
* Arnaldo Jordy 
    
A prisão do empresário Eike Batista, no começo desta semana, foi mais um capítulo de um nebuloso esquema que funcionou durante os governos de Lula e Dilma, cujos governos utilizaram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para favorecer de maneira desproporcional e sem controle os aliados e amigos dos que estavam no poder na época. É o que vem à tona agora, nas investigações da Lava Jato e de um dos seus desdobramentos, a Operação Eficiência.
  
Esta revelou caudalosos desvios no Rio de Janeiro, patrocinados pelo então governado por Sérgio Cabral, hoje também preso, assim como Eike Batista. Enquanto isso o Rio de Janeiro está falido, sem condições de pagar os servidores públicos, que estão desesperados. Na quarta, houve confronto desses servidores com policiais, durante a votação de pacote de austeridade. Também se teve notícia, esta semana, de um policial militar que cometeu suicídio ao vivo, em uma rede social. Ele estava depressivo e um dos motivos seria a falta de salário para honrar seus compromissos. 
   
Vejam a situação desses policiais: eles não recebem seus devidos salários e são obrigados a reprimir os que protestam contra tal situação. Esses mesmos homens da polícia ainda são comumente assediados pelo crime organizado para que se corrompam, mas felizmente a grande maioria não se permite corromper. Essa é a situação causada pela corrupção no Rio de Janeiro de Eike e Cabral. Sem querer defender "linchamento virtual" ou humilhações públicas, mas os culpados têm que responder pelos seus crimes como manda a lei e de preferência, devolver aos cofres públicos o que foi subtraído em comissões e licitações fraudulentas.
  
Mais do que nunca temos que defender e valorizar a Lava Jato, garantir o seu avanço contra os políticos de todos os partidos que se beneficiaram de esquemas em prejuízo do erário. Segundo a Polícia Federal, Sérgio Cabral e Eike Batista lavaram 100 milhões de dólares no exterior. De acordo com O Globo, em seu primeiro depoimento à PF depois de ser preso, Eike confessou o pagamento de 16 milhões de dólares em propina a Sérgio Cabral. Eu disse dólares. Pela cotação atual, significa que Cabral recebeu quase 50 milhões de reais apenas de Eike Batista.
  
Fui o autor do pedido de convocação de Eike Batista para depor na CPI do BNDES, no ano passado, aquela que, por influência do governo Dilma e do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ainda fortes à época, acabou em "pizza", sem qualquer pedido de indiciamentos em seu relatório final. Nós, da oposição, fizemos então um relatório paralelo, no qual pedimos o indiciamento do então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e de outros executivos do banco, em decorrência de indícios veementes de crimes de gestão temerária, crimes contra o sistema financeiro e improbidade administrativa. Concluímos que o banco fez antecipações injustificadas de recursos para que a Construtora Norberto Odebrecht construísse o metrô venezuelano.
  
Também pedimos o indiciamento do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, investigado pela Operação Acrônimo, da Polícia Federal, que supostamente recebeu dinheiro de empresas financiadas pelo BNDES, para abastecer a campanha eleitoral do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel.
  
O relatório foi encaminhado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, juntamente com um pedido de aprofundamento das investigações sobre o empresário Eike Batista e suas empresas, beneficiadas por vultosos financiamentos do BNDES. Entre os casos suspeitos estão, além dos financiamentos para Eike Batista, benefícios concedidos ao grupo JBS/Friboi e para as empresas do consórcio responsável pela obra da usina de Belo Monte.
  
O caso de Eike Batista, no entanto, se torna agora o mais simbólico desse favorecimento aos amigos do poder, por causa da personalidade narcisista do empresário, que fez questão de ostentar ter a oitava riqueza do mundo, quando tudo o que tinha eram amigos influentes e uma grande lábia, além de campos com pouco petróleo. Por ocasião de seu depoimento à CPI do BNDES, pude dizer na sua frente que ele foi a maior fraude empresarial que o Brasil já teve, já que, aparentemente, sua oitava maior riqueza do mundo era apenas propaganda, parte de um ilusionismo que enganou a todos.
   
Agora, é esperar que os processos sigam seus cursos, seja na Justiça Federal, seja no Supremo Tribunal Federal, para que o máximo destes personagens notabilizados pela corrução, sejam punidos, e que possamos iniciar efetivamente um processo de superação da cultura predatória e saqueadora do bem público, revelado neste condomínio político-empresarial que está sendo desmontado.

Como o próprio Eike Batista reconheceu ao chegar ao Brasil para ser preso, na terça-feira, é preciso passar o Brasil a limpo.
  
 
* Arnaldo Jordy é deputado federal pelo PPS/PA
  
  

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Zelotes: Jordy propõe convocação de dono da CAOA na CPI do BNDES

  
Do Portal PPS
  
Membro da CPI do BNDES, o deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA) entrou na tarde da última terça-feira (27) com requerimento que pede a convocação do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, que é dono do grupo CAOA – um dos maiores revendedores de veículos do Brasil.
  
A CAOA é alvo da Polícia Federal e do Ministério Público por supostamente ter “comprado” medidas provisórias nos governos Lula/Dilma. O caso é investigado na Operação Zelotes, que apura fraudes a partir de decisões do Carf, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Carlos Alberto, numa das fases da Zelotes, foi levado para depor. 
  
O parlamentar lembra que a Caoa também é investigada por supostamente ter pago propina no valor de R$ 2 milhões a Benedito Rodrigues de Oliveira Neto (Bené), amigo do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. Bené e Pimentel são alvos de uma outra operação da Polícia Federal, a Acrônimo. A suspeita é de lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o uso do BNDES para a concessão de empréstimos subsidiados a grupos econômicos. Fernando Pimentel presidiu o Conselho de Administração da instituição financeira e foi ministro do Desenvolvimento entre os anos de 2011 e 2014. 
  
“A vinculação do Sr. Carlos Alberto de Oliveira Andrade às questões relativas a empréstimo irregular ao que parece não se resume a contrato envolvendo o nome do BNDES, mas também a outros fatos que foram destaque na mídia nacional. Neste sentido, é fundamental que este senhor preste os esclarecimentos necessários a esta comissão parlamentar de inquérito”, justifica Jordy, no pedido de oitiva.
  
A próxima reunião deliberativa da CPI do BNDES está prevista para ocorrer na próxima terça-feira (4).
  
  

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Solicitado por Jordy, CPI do BNDES quebra sigilos de empresas ligadas a Pimentel

  
    
Do Portal PPS
   
A CPI do BNDES aprovou nesta quinta-feira (8) a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico da OPR Consultoria Imobiliária e da Pepper Comunicação. As duas empresa são alvo da operação Acrônimo da Polícia Federal que investiga ainda o suposto envolvimento do atual governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e sua mulher, Carolina de Oliveira. O casal teria recebido vantagens indevidas de empresas que mantinham relações comerciais com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Pimentel foi ministro do Desenvolvimento entre 2011 e 2014. O BNDES é subordinado à pasta.
   
Os requerimentos aprovados são de autoria do deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA) e de parlamentares do PSDB.
   
Sobre a OPR CONSULTORIA, que a PF acredita ser de propriedade de Fernando Pìmentel, os deputados querem detalhes sobre sua receita e quem são seus clientes. Um destes assessorados é o Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), conforme revelou recentemente a imprensa. A OPR recebeu R$ 500 mil do sindicato. Os pagamentos ocorreram em 2013, quando Pimentel era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A Polícia Federal suspeita que o hoje governador mineiro era o destinatário final dos recursos. 
   
Arnaldo Jordy, que apresentou e viu aprovado pela CPI o requerimento de quebra dos sigilos telefônico, fiscal e bancário da Pepper Comunicação, destacou a importância de acessar tais dados. A empresa pertence a Danielle Fonteles. É alvo das operações Lava Jato e, especialmente, Acrônimo. Segundo a Polícia Federal, há evidências de que a Pepper foi usada para intermediar dinheiro do BNDES a Pimentel
   
“A Pepper Comunicação, responsável pelas contas do PT nas mídias sociais, foi alvo de busca e apreensão realizada pela Política Federal no dia 25 de junho de 2015, na segunda fase da operação Acrônimo. A suspeita é de que a esposa de Fernando Pimentel, Carolina Oliveira, possa ser sócia oculta da Pepper, que foi beneficiada com recursos do BNDES, então a necessidade de a CPI ter acesso a este material”, justificou Jordy.