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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Jordy vai propor CPI para investigar cartel e propina em Belo Monte

   
O deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA) informou nesta sexta-feira, 18, que começa a recolher na próxima segunda-feira, 21, as assinaturas necessárias na Câmara dos Deputados para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a formação de cartel e o pagamento de propina a políticos do PMDB e do PT, na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.
   
Jordy declarou que acompanha há tempos toda a situação envolvendo Belo Monte, que fez o barramento do rio Xingu, com a remoção compulsória de famílias de ribeirinhos para a cidade de Altamira, longe de seus meios de subsistência, além de outras condicionantes não cumpridas. “Não conseguem cumprir as condicionantes, enquanto o dinheiro está no ralo do propinoduto”, disse Jordy, sobre as denúncias surgidas na Operação Lava Jato. O deputado considera que em dez dias já terá sido possível recolher as 171 assinaturas necessárias para a instalação da CPI de Belo Monte na Câmara.
    
Em junho deste ano, o engenheiro Luiz Carlos Martins, ligado à Camargo Corrêa, relatou à Força Tarefa da Lava Jato que havia o compromisso de pagar R$ 21 milhões em propina ao PT e ao PMDB pelas obras da hidrelétrica no Pará. Os executivos Dalton Avancini, da Camargo Corrêa; e Flávio Barra, da Andrade Gutierrez, acertaram que 1% do custo das obras civis seriam pagos aos dois partidos. Os R$ 21 milhões correspondem apenas à participação de 16% da Camargo Corrêa no consórcio.
   
A propina destinada ao PMDB teria abastecido senadores do partido. Tanto que, em junho deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito para investigar o paraense Jader Barbalho e os também senadores Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO). O ex-senador e delator Delcídio do Amaral também envolveu o ex-senador José Sarney, os senadores Edison Lobão, Renan Calheiros, Romero Jucá, Valdir Raupp e Jader Barbalho e o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau na “confraria” da propina de Belo Monte. 
   
Já a parte destinada ao PT no ‘propinoduto’ de Belo Monte era administrada pelo ex-ministro Antônio Palocci, preso em setembro deste ano. Ele também intermediou o pagamento de R$ 15 milhões ao ex-ministro Delfin Netto, provavelmente pela elaboração da “engenharia” do cartel de Belo Monte, revelado esta semana, no acordo de leniência da Andrade Gutierrez com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), justamente sobre a formação de cartel para licitação da Usina de Belo Monte.
   
Para Jordy, o ponto principal da investigação da CPI deve ser a formação de confirmada pela Andrade Gutierrez ao Cade. “A denúncia da Andrade Gutierrez é o fator motivador; venho batendo nisso há tempos e agora é oficial. Tem muita coisa para investigada”, disse o deputado, sobre a combinação de preços entre os participantes do consórcio. 
   
Nesta sexta-feira, 18, o “Estado de S. Paulo” trouxe nova reportagem informando que o Cade investiga 30 cartéis formados por empresas envolvidas na Operação Lava Jato. O órgão que fiscaliza a livre concorrência registrou uma corrida de construtoras enroladas na Lava Jato em busca de acordos de leniência, caso contrário, poderão ser consideras inidôneas e impedidas de participar de concorrências.
   
O acordo de leniência firmado pela Andrade Gutierrez com o Cade vai investigar o suposto cartel na licitação para a concessão de exploração da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (Leilão nº 06/2009) e na contratação para a construção da UHE Belo Monte na modalidade EPC – Concorrência Privada da Norte Energia S/A.
   
As empresas inicialmente apontadas como participantes da suposta conduta anticompetitiva são Andrade Gutierrez Engenharia S/A, Construções e Comércio Camargo Corrêa S/A e Construtora Norberto Odebrecht S/A, além de, pelo menos, seis executivos e ex-executivos do alto escalão dessas empresas. Por meio do acordo, assinado conjuntamente pelo Ministério Público Federal do Paraná (MPF/PR e Força-Tarefa da Operação Lava Jato), os signatários admitem sua participação, fornecem informações e apresentam documentos probatórios a fim de colaborar com as investigações do alegado cartel.
    
Os contatos entre os concorrentes começaram em julho de 2009, com a divisão do grupo formado pela Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht em dois consórcios. O acerto deu errado quando consórcio venceu o Leilão 06/2009, no caso, a Norte Energia. Mas a situação foi contornada quando as três concorrentes foram contratadas pelo consórcio vencedor para efetivamente construir Belo Monte, na modalidade EPC, confirmando o cartel.
    
Este foi o quarto acordo de leniência firmado com o Cade no âmbito da Lava Jato. Os anteriores foram celebrados com a empresa Setal/SOG, para investigação de cartel em licitações da Petrobras; com a Camargo Corrêa, para investigação de cartel em licitação para obras de montagem eletronuclear na usina Angra 3 da Eletronuclear; e novamente com a Camargo Corrêa, para investigação de cartel em licitações da Valec para implantação da Ferrovia Norte-Sul e da Ferrovia Integração Oeste-Leste.
     
  
Por: Assessoria Parlamentar
  
  

Jordy quer CPI de Belo Monte após construtora confessar cartel

   
  
Por Murilo Ramos
Do Expresso - Época On Line
    
O deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA) quer recolher assinaturas para criar uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar a construção da Usina de Belo Monte, no Pará. Na quinta-feira (17), a construtora Andrade Gutierrez confessou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a existência de um cartel, juntamente com a Odebrecht e a Camargo Corrêa, para a realização das obras e para a operação da usina. 

O Tribunal de Contas da União verificou sobrepreço de mais de R$ 3 bilhões nas obras de Belo Monte.
  
  
Foto: Ananda Borges / Câmara dos Deputados
  
  

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Corrupção em Belo Monte sacrifica indígenas e ribeirinhos, afirma Jordy

  
Em discurso na tribuna da Câmara nesta terça-feira (3), o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA) destacou o absurdo da situação que é a ida da presidente Dilma Rousseff a Altamira, no Pará, para inaugurar aquela que é considerada a maior obra do PAC, a usina de Belo Monte, no momento em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denuncia ao STF, com base em delação premiada, o pagamento de propina milionária pela Camargo Corrêa ao PT e ao PMDB, com o sacrifício das populações indígenas e ribeirinhas, não contempladas por medidas compensatórias.
  
“As comunidades ribeirinhas, cerca de 20 mil pessoas, levadas para conjuntos habitacionais sem creche, sem água potável, sem escola, sem transporte, crianças perderam o ano letivo, os pescadores retirados de locais a 12 quilômetros de distância estão vivendo uma verdadeira tragédia”, disse Jordy, que parabenizou o procurador-geral, Rodrigo Janot, pelas denúncias feitas na Lava Jato, e pediu rigor do juiz Sérgio Moro no julgamento dos culpados.

Confira o vídeo abaixo, ou caso seu navegador não o abra automaticamente, veja aqui https://youtu.be/aghKIlLtyyM
   
  
  
Por: Assessoria Parlamentar
   
   

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Ex-presidente diz que Camargo Corrêa pagou propina de R$ 20 mi por Belo Monte

  

Da Agência Câmara
Por Janary Júnior
  
O ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, confirmou na tarde desta terça-feira (6), que a empreiteira se comprometeu a pagar a partidos políticos propina correspondente a 1% da sua parcela no contrato de construção da Usina de Belo Monte. Isso teria resultado no pagamento de propina de cerca de R$ 20 milhões.
  
Em resposta ao deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), ele falou que o PMDB foi o único partido que foi mencionado pelo ex-diretor de Energia da Camargo Corrêa, Luiz Carlos Martins, responsável pela negociação da propina, como destinatário das verbas. “Isso me foi reportado pelo diretor [Luiz Carlos]. Eu tenho responsabilidade por não ter proibido [isso]”, disse Avancini, que depõe neste momento na CPI do BNDES.
    
As afirmações do ex-dirigente da construtora fazem parte do acordo de delação premiada que ele fez com o Ministério Público Federal e já haviam sido noticiadas em junho passado.
    
A Camargo Corrêa faz parte de um consórcio contratado pela Norte Energia – concessionária que vai operar a hidrelétrica – para construir Belo Monte (PA). Fazem parte ainda do consórcio outras noves construtoras, como Odebrecht e Andrade Gutierrez. A Camargo possui 16% deste consórcio.
  
Realidade
   
A construção da Usina de Belo Monte (PA) só saiu do papel porque o BNDES estruturou o financiamento da hidrelétrica, afirmou Dalton Avancini, em resposta ao deputado Alexandre Baldy (PSDB/GO). 
   
Segundo ele, as tarifas de energia previstas no projeto para o futuro concessionário não tornavam atrativa a participação da Camargo Corrêa no empreendimento. Por causa disso, a empresa não quis entrar na licitação para escolha do concessionário, que foi ganha pela Norte Energia.
    
A Camargo foi posteriormente contratada pela Norte Energia, junto com outras noves construtoras, para construir a hidrelétrica.
    
Avancini explicou aos deputados que a construtora não fez contratos diretos com o banco para financiar a parte da Camargo Corrêa na construção da Usina de Belo Monte (PA). Afirmou ainda que não vê ligação entre os empréstimos do BNDES às empresas para financiar obra de infraestrutura e a Operação Lava Jato. Segundo ele, o banco é rigoroso na concessão dos financiamentos e não havia atrelamento entre as concessões e pagamentos de propina.
   
Durante seu depoimento, o ex-presidente da construtora disse que nunca ouviu falar em pagamento de propina para diretores ou funcionários do banco. Ele disse também que a Camargo não foi beneficiária do empréstimo para a construção de Belo Monte, já que os recursos foram contratados pela Norte Energia.
     
Condenação
    
Em julho, o ex-executivo da Camargo Corrêa foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 15 anos e 10 meses de prisão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e pertinência à organização criminosa. Avancini é um dos ex-executivos da construtora envolvidos em corrupção na Petrobras, investigada na Operação Lava-Jato.
  
A Camargo Corrêa participou de consórcios de empresas responsáveis por obras das refinarias Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR); Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP); e Abreu e Lima (Renest), em Pernambuco, e do Gasoduto Urucu-Manaus (AM). Dalton Avancini esteve, em maio, na CPI da Petrobras.
  
Atualmente ele se encontra em prisão domiciliar, depois que fez um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.
   
Os deputados Arnaldo Jordy e Carlos Melles (DEM/MG) foram os autores dos requerimentos para realização da audiência pública.