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sexta-feira, 7 de abril de 2017

ARTIGO - Tráfico humano, a escravidão no século 21

  
* Arnaldo Jordy
  
Em pleno século XXI, ainda existem no mundo 21 milhões de pessoas que sobrevivem na condição de vítimas do tráfico humano. É o que diz relatório do Parlamento Europeu divulgado em outubro de 2016. São vítimas da servidão humana, da mesma forma que os escravos que eram trazidos da África para o Brasil durante cerca de 300 anos da nossa história, com a diferença que agora, é o crime organizado que comanda essa barbárie, responsável por movimentar 117 bilhões de euros por ano ao redor do globo, segundo a mesma fonte.
  
São seres humanos vendidos para fins de exploração de sexual, trabalho forçado, adoção ilegal ou mesmo para retiradas de órgãos. Outra estimativa, essa das Nações Unidas, diz que a cada ano, 2 milhões de pessoas no mundo são aliciadas para fins de tráfico humano, que ocorre tanto dentro das fronteiras dos países, quanto no âmbito transnacional.
   
Estatísticas da União Europeia mostram que, das vítimas de tráfico humano identificadas e registradas, 68% foram submetidas a trabalhos forçados e 22% à exploração sexual. Os 10% restantes foram vítimas de remoção de órgãos, servidão doméstica, mendicidade, entre outros abusos. As mulheres são 95% das vítimas de exploração sexual, enquanto 70% das vítimas de trabalhos forçados são homens. 
   
Regiões pobres e com grandes fronteiras são alvos preferenciais desses traficantes de escravos modernos. Levantamento feito pelo Ministério Público e Polícia Federal mapeou as principais rotas dos traficantes de pessoas, e identificou que elas passam, principalmente, por 520 municípios que são entrepostos pelos quais as vítimas são mandadas para o exterior, boa parte deles na Amazônia brasileira, especialmente Amazonas e Roraima. A maioria das vítimas é iludida por promessas de trabalho digno e ganho fácil, mas acabam sendo vítimas de violência e impedidas de sair de onde estão.
   
As mulheres vítimas de exploração sexual são espancadas e obrigadas a consumir drogas para se prostituir. Quando conseguem fugir das quadrilhas, são vítimas de preconceito e da naturalidade com que muitos encaram esse crime. Pouca gente liga para o destino de adolescentes transexuais que são levados para São Paulo, o Estado mais rico do Brasil, e de lá para o exterior, pela indústria da prostituição. 
   
Presidi na Câmara dos Deputados a CPI do Tráfico de Pessoas, concluída em maio de 2014, que resultou em um projeto de lei inédito contra esse crime, que endureceu as penalidades e criou mecanismo para facilitar a identificação e punição dos criminosos pelos órgãos de segurança. Até então o Brasil legislava ancorado na convenção de Palermo, um tratado internacional de combate ao tráfico, do qual o Brasil é signatário, e só havia previsão para a repressão ao tráfico de mulheres, mas o problema é muito maior.
  
No caso do Pará, suas dimensões continentais dificultam o monitoramento das fronteiras e, para piorar, o efetivo da Polícia Rodoviária Federal perdeu 127 agentes nos últimos dez anos, com o fechamento de vários postos da PRF nas rodovias, um contrassenso diante do aumento populacional nesse período. Quase não há fiscalização.
   
As investigações da CPI revelaram que quase 100% dos casos tem relação direta com a e pobreza e envolvem pessoas de baixa renda, um indicador de vulnerabilidade para fins de tráfico de pessoas. A situação do Marajó, no Pará, se agrava por isso, com baixíssimos índices de Desenvolvimento Humano (IDH). São muitos os casos como os das meninas balseiras, que se prostituem em troca de combustível. Em Portel, também no Marajó, uma mãe foi flagrada em reportagem de televisão negociando a filha em troca de algumas cervejas. 
   
Outro tipo de tráfico de pessoas é o aliciamento de jovens levados para escolinhas de futebol em outros Estados. No Pará, 12 meninos foram levados para São Paulo nessa condição e descobriram que o sonho era um pesadelo. 
   
Outra tragédia foi vivida por uma adolescente de 16 anos, trazida em uma viagem de três dias, dentro de uma Kombi, para ser prostituída em uma boate localizada dentro do canteiro da maior obra do PAC, a Usina de Belo Monte, na região do Xingu, no Pará. O caso veio à tona em 2013, durante as investigações da CPI do Tráfico de Pessoas na Câmara.
   
A fronteira do Pará com o Suriname acaba sendo um atrativo para muitas meninas que são iludidas com a promessa de ganhos em euro, mas que acabam escravizadas e violentadas por essa máquina de moer gente que é o tráfico humano. 
   
Desde 2011, a rede de proteção da infância e juventude ganhou reforço com a possibilidade de parlamentares destinarem recursos de emendas para equipamentos aos conselhos tutelares, com recursos do Orçamento via Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Até agora, já foram entregues 81 kits para municípios paraenses, com carro, computadores, impressora, bebedouro e refrigerador. A intenção é cobrir todo o Estado com esses equipamentos. Nesta semana, tivemos a visita da ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, para a entrega de mais dez kis a municípios do Pará, um reforço e um incentivo para que esta e outras políticas públicas ajudem a amenizar esse grave problema social. Conselhos tutelares bem equipamentos poderão fiscalizar melhor a proteção à infância e juventude e prevenir o aliciamento de jovens para o mercado de tráfico humano. E o que espero.
    
   
* Arnaldo Jordy é deputado federal, líder do PPS na Câmara
   
  

quarta-feira, 22 de março de 2017

Justiça: Jordy pede regulamentação de indenização a agentes de fronteiras

   
  
O deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA) e uma comissão de representantes sindicais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Federal (PF), foram recebidos nesta quarta-feira (22), em audiência pelo Ministro da Justiça, Osmar Serráglio, em Brasília.
  
Os agentes de segurança reivindicaram junto ao Ministro, a regulamentação do pagamento da indenização de pessoal lotado em locais de difícil provimento e fixação de agentes, em geral nas fronteiras do país. Segundo os representantes, existe um acordo em andamento na 5ª Vara da Justiça Federal de Brasília, que necessitando do aval do governo para que o benefício seja implementado em definitivo. Hoje há liminares garantindo este pagamento, que alcançaria apenas 8% do efetivo das forças.
   
A ausência deste pagamento, definida na Lei 12.855/2013, afasta os agentes de locais de importância estratégica do país, contribuindo para o esvaziamento dos postos de fiscalização, principalmente na região Amazônica.
  
Para Arnaldo Jordy, a situação dos contingentes da PF e da PRF nos Estados amazônicos é lamentável e vem causando problemas operacionais. “Desde os altos índices de prostituição infantil, passando pelo tráfico de drogas e outros problemas como o comércio ilegal de madeiras e minérios na região, decorrem do fechamento de postos da PRF”, alertou o líder do PPS, que ainda cita o aumento do fluxo populacional advindo dos grandes empreendimentos na Amazônia, como a construção de hidrelétricas como de Belo Monte, em Altamira.

De acordo com dados do sindicato da PRF, em 2009 o efetivo no Pará era de 472 policiais, distribuídos por 20 unidades operacionais e responsáveis pela fiscalização e controle de 10 BRs – 4.346 km. Hoje as unidades operacionais estão reduzidas pela metade (10 postos) e o efetivo caiu para 397 policiais, mesmo com aumento da malha rodoviária (11 BRs – 4706 km) e da população.
  
  
Por: Assessoria Parlamentar
   
  

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Jordy aponta em seminário injustiça fiscal com o Pará

  
  
O deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA) foi palestrante em um dos painéis do seminário "Administração Tributária, Aduana e Proteção das Fronteiras na Amazônia", que teve como tema: "Prevenção e Combate aos Crimes Fronteiriços", realizado nesta sexta-feira, 26, na sede do Censipam, em Belém, a convite do Sindicato dos Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil (Sindireceita), e da Superintendência da Receita Federal na 2ª Região Fiscal.
  
Jordy destacou a importância do tema, relacionado às carências no desenvolvimento das áreas fronteiriças na Amazônia, que facilitam crimes como o tráfico de pessoas e de drogas, e que são reflexo das injustiças tributárias com a Amazônia, onde vivem 30 milhões de brasileiros, ou 15% da população nacional, com apenas 7,6% do PIB brasileiro, em um claro desequilíbrio que gera pobreza.
  
O Pará, com sua produção de minério e de energia elétrica, responde por 50% do superávit da balança comercial brasileira e abastece os outros Estados de energia com as usinas de Tucuruí e Belo Monte, mas é impedido pela Lei Kandir de cobrar ICMS dessa produção. A compensação que deveria ser paga pelo governo federal se acumula em uma dívida de R$ 30 bilhões com o Estado.
  



  
  
Por: Assessoria Parlamentar