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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

ARTIGO - Barcarena pede socorro

   
* Arnaldo Jordy
    
Apesar de possuir a quarta maior arrecadação do Estado, o município de Barcarena segue sendo um exemplo da miséria que grandes projetos econômicos deixam para a população paraense, em troca das riquezas que retiram da nossa terra. 
  
Desde 2000, entidades de moradores de Barcarena contabilizam 20 acidentes com prejuízos para o meio ambiente, que inviabilizam atividades como a pesca, o turismo e outras, das quais o cidadão depende para sobreviver, já que as dezenas de indústrias que se instalaram em sua terra não lhe oferecem empregos. 
  
Desde o naufrágio do navio Haidar, com 5 mil cabeças de gado, em outubro de 2015, sem que as carcaças fossem retiradas até hoje do fundo do rio, bem como a própria embarcação, que continua no lugar em que afundou, sem que nada tenha sido feito. As praias de Barcarena se tornaram desertas de peixes e turistas, o que resultou em uma ação civil pública na qual se espera que os prejudicados sejam indenizados. A população prejudicada pelo acidente não foi ressarcida dos prejuízos e os acordos e promessas feitos a eles, tais como fornecimento de água, energia e outros benefícios não foram cumpridos. 
   
Um ano e seis meses antes, em maio de 2014, bacias de rejeitos da Imerys Rio Capim Caulim se romperam contaminando os cursos d’água, em mais um de uma série de acidentes que vêm acontecendo há décadas e que continuam. Há duas semanas, houve novo vazamento de caulim, e, no dia seguinte, um rebocador afundou próximo a Barcarena, deixando um rastro de óleo.
  
Os pescadores e suas famílias sofrem com problemas de pele e respiratórios. A empresa garante que o caulim é inócuo, mas a professora Simone Pereira, do Laboratório de Química Analítica e Ambiental da UFPA, revela que seus rejeitos contêm ácido sulfúrico e metais tóxicos como o bário, além de outros metais perigosos à saúde humana.
  
Na audiência pública da CPI dos Maus Tratos a Animais, que fizemos em Barcarena, uma semana depois do naufrágio do Haidar, a mesma pesquisadora da UFPA expôs brevemente estudos realizados nos últimos sete anos, por ela e por estudantes sob a sua orientação, sobre as sucessivas contaminações por produtos químicos a partir do porto de Vila do Conde, e afirmou que até mesmo a captação de água para o abastecimento da Região Metropolitana de Belém é prejudicada pelas sucessivas contaminações. 
  
O fato é que o pescado e os camarões sumiram, e os 460 pescadores cadastrados em três associações dependem de assistência social para sobreviver. Até água potável falta, a ponto de, em 25 de outubro, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado do Pará terem entrado com ação na Justiça pedindo que seja garantido o abastecimento de água potável para a população de Barcarena, diante de fortes indícios de que eles vêm consumindo água contaminada.
   
Aparentemente, esses enclaves econômicos que usufruem de benefícios fiscais no Pará ignoram solenemente as exigências feitas pelas autoridades e órgãos reguladores locais, e nem mesmo os empregos que deveriam gerar, eles o fazem.
  
De acordo com o Sindicato dos Químicos de Barcarena, a multinacional Hydro Alunorte terceiriza sua mão de obra para outras empresas, que trazem pacotes fechados de trabalhadores de outros Estados, deixando desempregados os que estavam trabalhando no Pará, engrossando ainda mais o caldo dos problemas sociais de Barcarena.
   
As perguntas que não querem calar são: Será que o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado do Pará foram eficientes em sua missão de fiscalizar os acordos que são firmados? Será que essas indústrias têm sido devidamente fiscalizadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade? Será que a Semas tem estrutura suficiente para isso? E a Prefeitura de Barcarena, tem feito a sua parte na fiscalização?
  
Sim, cabe à Semas licenciar as atividades dessas empresas, entre as quais, estão alguns líderes mundiais em seus setores. Essas empresas têm cumprido os compromissos firmados com a Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará? Se não têm cumprido, precisam ser enquadradas para que deixem aqui mais do que buracos, destruição e fome.
    
   
* Arnaldo Jordy é deputado federal pelo PPS
  
  

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Jordy pede rapidez em ações de reparação em naufrágio de barco com carga animal no Pará

  
Do Portal PPS
  
Da tribuna da Câmara, o deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA) destacou as medidas tomadas pelo Ministério Público Federal (MPF), pelo Ministério Público do Estado do Pará (MP/PA) e pela Defensoria Pública estadual que apuram as circunstâncias e as consequências do naufrágio de um barco lotado de bois, no Porto de Barcarena, no Pará.
   
A embarcação afundou no último dia 6 de outubro e tinha uma carga de 4.800 animais. O MP e o MPF ingressaram com uma ação liminar que exige a paralisação total das atividades no terminal portuário de Vila do Conde até que seja apresentada uma solução para o problema das carcaças de boi e do óleo que se espalhou nas águas do rio Pará.
    
Jordy disse que até hoje os restos mortais dos animais não foram retirados do local, o que têm causado contaminação da água e prejudicado moradores da região.
  
“Imagine quase cinco mil animais em processo de decomposição que faz crescer uma população de bactérias que está gerando contaminação de toda a região. Isto faz com que comunidades inteiras tenham que deslocar dali. Há uma série de problemas no porto como a falta de um plano de contingenciamento e o licenciamento está funcionando na base de um TAC – termo de ajuste de conduta”, disse o parlamentar do PPS.
  
Jordy disse que é que preciso que as autoridades cobrem dos responsáveis pelo naufrágio a reparação dos danos e tomem medidas preventivas para situações como estas não se repitam no futuro. O parlamentar pediu sensibilidade e celeridade à justiça federal na análise das demandas, de modo a aliviar o sofrimento das famílias que estão com suas atividades profissionais paralisadas, em setores que foram paralisados pelo sinistro, como turismo, comércio e pesca, em Barcarena e adjacências.
  
A Prefeitura de Barcarena chegou a decretar na semana passada situação de emergência no município por causa da tragédia. O óleo da embarcação e corpos dos animais mortos se espalharam por praias do município, após o rompimento da barreira de contenção montada para conter os resíduos do acidente.
   
  

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Jordy cobra providências para moradores atingidos por tragédia ambiental em Barcarena

   
  
A situação dos moradores do distrito de Vila do Conde, no município de Barcarena, no Pará, após o desastre ambiental causado pelo naufrágio do navio Haydar, com 5 mil bois, no porto local, foi discutida nesta sexta-feira, 16, pela manhã, em concorrida audiência no salão paroquial da Igreja de São João, naquele distrito, por proposição do deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA), na condição de membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Maus Tratos a Animais, junto com audiência da Comissão o de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, que para tratar dos constantes vazamentos por empresas instaladas no polo industrial de Barcarena. Mais de 700 pessoas participaram da audiência, a imensa maioria de moradores de Vila do Conde, indignados com as condições de sobrevivência da população, após o desastre ambiental.
  
As maiores reclamações são relacionadas à falta de providências das autoridades, pois, dez dias após o acidente, ainda faltam água mineral e alimentos para os prejudicados, que estão impedidos de trabalhar pelo acidente. O Haydar levou para o fundo do rio Pará mais de 700 mil litros de óleo combustível, parte do qual já vazou para os cursos d'água até de municípios próximos, prejudicando a pesca. As praias do município de Barcarena, conhecidas pela beleza natural, estão impróprias para o banho, atrapalhando as atividades relacionadas ao turismo.
   
A professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) Simone de Fátima Pinheiro Pereira, do Laboratório de Química Analítica Ambiental, expôs brevemente estudos realizados nos últimos sete anos, por ela e por estudantes sob a sua orientação, sobre as sucessivas contaminações por produtos químicos a partir do porto de Vila do Conde, e afirmou que até mesmo a captação de água para o abastecimento da Região Metropolitana de Belém pode ser prejudicada por contaminações. Os efeitos do naufrágio, de acordo com ela, vem sendo sentidos nas ilhas próximas, como Cotijuba, Ilha das Onças e outras.

A ausência de representantes da Companhia Docas do Pará (CDP) e da empresa Minerva, proprietária dos animais que seriam transportados, foi alvo de críticas dos participantes da audiência púbica. A população de Vila do Conde reivindica a responsabilização criminal dos culpados pela tragédia, e a indenização financeira dos que ficaram prejudicados economicamente, seja pela tragédia atual, seja pelos outros 18 desastres ambientais que atingiram a população no entorno do porto de Vila do Conde, pelas empresas instaladas no distrito industrial de Barcarena.
  
Após a audiência, os deputados integrantes da Comissão do Meio Ambiente e da CPI dos Maus Tratos a Animais foram visitar o local do acidente, o pier do porto de Vila do Conde. Jordy conversou com sindicalistas que representam trabalhadores do porto, que relataram as condições precárias em que é feito o embarque de animais em Barcarena. Eles também revelaram que o navio Haydar é um antigo graneleiro, adaptado para o transporte da carga viva, porém, sem as adequadas condições de segurança. Inclusive, a viagem que começaria no dia 6 de outubro, com partida de Vila do Conde, e destino na Venezuela, seria a primeira da embarcação, recém adaptada para levar gado para o exterior.
  
"Foi a maior tragédia envolvendo animais que já vimos no Brasil", disse Jordy, que citou em entrevista também o risco de vazamento de 735 mil litros de óleo, para exemplificar o risco que corre a população de Barcarena. "Infelizmente até agora quase nada foi feito pelas autoridades, a CDP, junto com a prefeitura, conseguiu água mineral e algumas cestas básicas para parte da população, o navio ainda está aqui emborcado, não há previsão de ser removido, ainda há 4 mil e 600 bois lá dentro", disse Jordy, durante visita ao local da tragédia, com representante da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade e da CPI dos Maus Tratos a Animais. Jordy defende que as famílias sejam indenizadas por mais esse prejuízo ambiental no município.
  
A audiência desta sexta foi inicialmente solicitada pelo deputado federal Edmilson Rodrigues (Psol/PA), para discutir a situação ambiental de Barcarena, há cerca de quatro meses. Quando houve o naufrágio, com a morte dos bois, Jordy, pela CPI dos Maus Tratos a Animais, incluiu no mesmo evento audiência da CPI dos Maus a Animais, por causa do acidente que matou 5 mil bois.
  
Por isso, vieram a Barcarena para a audiência o presidente da CPI, deputado federal Ricardo Izar (PSB/SP), e a deputada federal Raquel Alves (PSC/MG), que integra a CPI. Também participaram da audiência o senador Paulo Rocha (PT/PA), o prefeito Antônio Carlos Vilaça, o iretor de Relações Institucionals da Bumge,Níveo Maluf; Petrolino Alves, do Fórum Intersetorial de Barcarena; Marcos Lemos, delegado da Divisão Especializada em Meio Ambiente; Alex Lacerda de Souza, superintendente do Ibama; Simone de Fátima Pinheiro Pereira, da UFPA; José Carlos Lima, representando a OAB; a vereadora de Belém Marinor Brito (Psol), ); Jorge Panzera, da SPU; Olinda Cardias, do Fórum de Defesa da Causa Animal; Anginaldo Vieira, da Defensoria Pública; Ronaldo Lima, representante da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas); Renata Lisboa, promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Pará; Juliana Nobre, secretária municipal de Meio Ambiente de Barcarena, o vereador de Barcarena Padre Carlos (PPS) e centenas de pessoas interessadas na situação ambiental de Barcarena.
    



   
Por: Assessoria Parlamentar