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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

ARTIGO - Energia que escraviza o Pará

   
* Arnaldo Jordy
   
O consumidor de energia elétrica do Estado do Pará recebeu este mês a péssima notícia de que, em setembro, as contas de luz voltarão a apresentar a bandeira amarela, indicação de que subiu o preço da energia de geração hidrelétrica no País, e que o aumento será automaticamente repassado ao usuário, o que ocorre quando a bandeira tarifária é amarela ou vermelha.
   
Desde abril deste ano, vínhamos tendo os benefícios do período chuvoso nos reservatórios das usinas, que garantiram a bandeira verde, sem a cobrança extra. Agora, os jornais noticiam que o aumento da demanda e a queda do nível dos reservatórios ameaçam acionar novamente o “gatilho” da bandeira tarifária.
   
Isso ocorre porque, com a escassez da geração hidrelétrica, as usinas térmicas, movidas a óleo diesel trabalham mais e a um custo maior. A diferença no preço é repassada ao consumidor, que já anda pressionado por aumentos de preços de todos os lados, com perda do valor dos salários e com a ameaça de desemprego, que já atinge 11 milhões de brasileiros.
   
O que questionamos, na política de bandeiras tarifárias, que, no caso da cor amarela, deverá aumentar em R$ 1,50 a conta de luz em setembro, para cada 100 quilowatts consumidores, e que se chegar à bandeira vermelha, aumentará a conta entre R$ 3 e R$ 4,50 para cada 100 quilowatts, é a injustiça com o Pará, mais uma do nosso deformado modelo federativo, que ainda nos escraviza.
   
O Pará, hoje, está entre os maiores produtores de energia do País, gerando, com Tucuruí e Belo Monte, entre outros, cerca de 17 milhões de quilowatts de energia, e é o Estado que mais exporta energia, consumindo apenas 14% da energia produzida. Os 86% restantes abastecem outras unidades da federação, sem que o Estado receba um centavo de impostos, pois, segundo a nossa legislação, a cobrança do ICMS ocorre onde se dá o consumo, e não onde produz.
  
Por isso, consideramos que não é justo que o Pará, assim como outros estados exportadores de energia, participe de um rateio que decorre da incapacidade de geração de energia do país, pois somos os grandes produtores e exportadores de energia para o Brasil.
   
Esse é o motivo pelo qual apresentei o Projeto de Lei 1.524/2015, que tem como intuito corrigir uma criminosa injustiça na tarifa de energia cobrada de consumidores de Estados exportadores, como Tocantins, Bahia, Pará e outros. As bandeiras tarifárias foram instituídas pelo governo federal para subsidiar o gasto das geradoras com energia de reserva, decorrente da crise hídrica. O Pará, no entanto, que não sofre com a falta de chuvas em seus reservatórios, paga mais caro por abastecer de energia hidrelétrica o sistema interligado.
   
Nosso projeto altera os parâmetros que regram o rateio dos custos decorrentes da contratação de energia de reserva, e já recebeu parecer favorável da Comissão de Minas e Energia da Câmara.
   
Pelo projeto, ficam excluídas das bandeiras tarifárias as unidades consumidoras localizadas nos Estados em que a soma das energias geradas nas hidrelétricas existentes no Estado supere o total da energia consumida no Estado, ou seja, ficam fora dos rateios os Estados que produzem mais energia do que consomem.
   
Estados como o Pará, Rondônia e Tocantins, que possuem grandes hidrelétricas, agregam ao sistema elétrico brasileiro um montante de energia muito superior à quantidade que consomem. Por que esses Estados ainda precisam pagar pela energia que não consomem? Ainda mais quando se observa que no atual sistema energético brasileiro, a tarifa do Pará é a segunda mais cara do Brasil e até da América Latina.
   
Isso porque, pelo modelo brasileiro, o custo da distribuição da energia é dividido pelo número da população consumidora. Então, estados com grande extensão territorial, como o nosso, acabam pagando mais caro, por ter densidade populacional menor. Sem falar nas práticas abusivas praticadas pela Celpa Equatorial, que continua sem a devida fiscalização séria dos órgãos competentes.
   
Problemas como esse mostram o desequilíbrio do nosso sistema energético, que, aliás, deveria ter mais investimento em fontes alternativas, como solar e eólica. Essas frentes também estão contempladas em projetos que nós apresentamos.
   
Outro projeto substitutivo de minha autoria, também aprovado pela Comissão de Minas e Energia da Câmara, isenta do Imposto sobre Importação os componentes de placas fotovoltaicas, para geração de energia solar, quando não houver produtos similares nacionais. Consideramos que é preciso incentivar o brasileiro e oferecer mecanismos que o levem a usar uma matriz energética que é limpa, não gera ruído e que não requer o alagamento de grandes áreas, como é no caso da energia gerada a partir de usinas hidrelétricas.
   
Para mostrar como a energia solar é pouco utilizada no Brasil, a Alemanha, que tem um índice de radiação solar bem menor que o nosso país, tem 8% da sua energia proveniente da luz solar. É a fonte que mais cresce no mundo. Mas o Brasil utiliza menos de 0,5% de geração de energia solar, apesar de possuir condições excepcionais para seu aproveitamento. Considero fundamental fomentar a produção de energia fotovoltaica de maneira descentralizada, realizada pelos próprios consumidores, especialmente os residenciais, por meio da instalação de painéis solares sobre os telhados das residências e outras edificações.
   
Outro projeto que apresentei, apensado a outro originário do Senado, pede que os trabalhadores possam utilizar seu saldo de contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para aquisição de sistema fotovoltaico destinado à geração de energia elétrica, limitada a quinze salários mínimos. São opções para quem busca a sustentabilidade e a economia na hora de consumir energia elétrica.
   
  
* Arnaldo Jordy é deputado federal pelo PPS/PA
  
  

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Jordy quer ampla discussão sobre complexo hidrelétrico no Tapajós

  
O deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), teve aprovado, nesta quarta-feira (18), requerimentos de sua autoria na Comissão da Amazônia e Integração Nacional, da Câmara Federal, nos quais revela preocupação com o processo de instalação de um complexo hidrelétrico no rio Tapajós, na região de Itaituba, no Pará, que pode repetir as mazelas socioambientais observadas com a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no mesmo Estado. 
   
O complexo faz parte de megaprojetos do governo federal de usinas na Amazônia, que incluem ao menos 40 grandes hidrelétricas (com mais de 30 MW de capacidade instalada) em construção ou planejamento na bacia.
   
São Luiz do Tapajós seria a maior dessas usinas, com 4.000 MW de potência média prevista. O projeto está em fase de licenciamento ambiental, pois a Eletrobras entregou o Estudo de Impacto Ambiental - EIA/Rima ao Ibama em agosto de 2014, em busca da primeira autorização para a obra. Órgãos como IPHAN, Ministério da Saúde e Funai já apontaram erros técnicos e irregularidades contidos no documento apresentado pela empresa. O Ibama identificou "inconsistências" e pediu complementos ao trabalho.
   
Jordy, pede audiências no Pará e em Brasília onde serão discutidos todos os aspectos do EIA/Rima, bem como os impactos da atividade garimpeira, concedidas pelo Estado do Pará e pela União, para extração mineral no leito do rio Tapajós. 
   
Para o deputado federal, a matriz energética brasileira, baseada em hidrelétricas, está falida. Ele defende uma mudança no modelo de geração de energia no país, como a partir da luz solar, justificando que o Brasil detém um alto índice de irradiação solar, mas que apesar disso, essa fonte ainda é pouco explorada.
   
“É um modelo completamente nocivo. Dos 30 milhões de quilowatts que as hidrelétricas no Pará produzirão, 82% serão para exportação para outros estados para atender interesses alheios da população paraense, que além de não receber um centavo dos impostos da energia exportada, ainda arca com o ônus social e ambiental de empreendimentos desta envergadura”, concluiu o deputado.
   
Em setembro último, o Greenpeace apresentou uma análise sobre o EIA/RIMA, revelando que ele não cumpre com a função de informar corretamente a sociedade sobre os impactos do empreendimento, sugerindo a rejeição do documento pelo Ibama.
  
O Pará detém a segunda maior tarifa energética do país e 22% dos 8 milhões de paraenses não contam com energia elétrica em suas residências.
   
Para as audiências, cujas datas serão ainda definidas, serão convidados representantes governamentais do Pará, do governo federal (Ibama, Ministério de Minas e Energia), de Santarém, de Itaituba, bem como do Ministério Público Federal e da sociedade civil, como Greenpeace.
  
   
Por: Assessoria Parlamentar