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quarta-feira, 6 de junho de 2018

Esportistas e dirigentes discordam sobre futuro do atletismo brasileiro

  
Da Agência Câmara
Por José Carlos Oliveira
   
Ex-atletas olímpicos, como a maratonista Carmem de Oliveira, a corredora Maria Magnólia Figueiredo e os medalhistas do revezamento 4 x 100 metros Arnaldo Oliveira e André Domingos participaram da reunião e pediram protagonismo dos competidores na gestão das entidades esportivas, além de mais investimento e estrutura para o esporte, desde a base até o alto rendimento. 
   
Levantamento do Centro de Estudos de Atletismo mostrou que investimentos recentes não apresentaram os resultados técnicos esperados. Alguns recordes nacionais já duram mais de 30 anos, como o dos 100 metros rasos, de Robson Caetano (10s).
   
Também dona de um recorde nacional antigo (maratona: 2h27min), Carmem de Oliveira cobrou a união dos atletas para exigir a punição de ex-dirigentes da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) acusados de fraudes. “Os culpados têm de ser presos. Quero transparência, quero saber quanto é investido nos rincões de Goiás, saber se essa política que está sendo feita vai melhorar o atletismo”, disse. “Eu me sinto envergonhada de segurar um recorde há 23 anos. É porque não existe uma política clara de crescimento na modalidade”, completou.
     
Além da falta de transparência na confederação, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou remuneração de dirigentes acima dos limites permitidos em lei e a existência de conta única para a movimentação de recursos, o que dificulta a fiscalização do dinheiro público aplicado no esporte.
     
Modelo “falido”
    
Organizador do debate, o deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA) defendeu a proposta (PL 6718/16), em análise na Câmara, que redistribui os recursos lotéricos para o esporte e amplia a participação dos atletas no colégio eleitoral das confederações.
   
Para ele, o atual modelo de gestão esportiva está “falido”. “Estamos vivendo um momento de prostração geral, baseado em um modelo que nos distancia cada vez mais do caminho de uma potência olímpica.”
  
CBAt
    
No cargo desde março, o atual diretor-executivo da Confederação Brasileira de Atletismo, Martinho dos Santos, informou que os inquéritos administrativos sobre as denúncias de irregularidades devem ser concluídos até o fim deste mês. Segundo ele, a revisão de contratos já proporcionou uma redução de 28% nos custos da entidade.
  
Centros de treinamento
  
Durante a audiência, houve divergência quanto aos reais motivos do fim do convênio da CBAt com o Ministério do Esporte para a viabilização do que deveria ser um dos legados da Olimpíada do Rio de Janeiro: os centros de treinamento esportivo em várias cidades do País.
  
Para o diretor da Associação Desportiva Atletismo Brasil, Wlamir Campos, a falha foi da confederação. “A CBAt esteve de posse, de dezembro de 2016 a março de 2018, de mais de R$ 10 milhões não executados. Passado um ano e meio, a CBAT executou apenas 30% do que estava disponível em seu caixa para a execução da rede nacional de treinamento. E o atletismo perdeu muito”, criticou.
  
Já Martinho dos Santos citou a descontinuidade do governo federal como responsável pelo problema. “Esse projeto foi elaborado no governo da presidente Dilma Rousseff. Com a troca da presidência, o novo ministério informou que não tinha interesse na continuação da rede”, afirmou. “Na verdade, a pasta já havia dado claros sinais de que denunciaria o convênio e não seguiria. Nós tivemos de demitir todos os funcionários dos centros. Foi uma situação extremamente desagradável.”
   
De acordo com Martinho, a confederação ainda vai tentar viabilizar alguns centros de treinamento com o apoio da Caixa Econômica Federal e do Comitê Olímpico Brasileiro. Ele avaliou ainda que, apesar das turbulências administrativas, o atletismo vive boa fase técnica, com perspectivas de resultados positivos nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. Atualmente, o Brasil tem 70 mil atletas inscritos no atletismo, mas apenas 19 mil participam de competições regulares.
  
  
ÍNTEGRA DA PROPOSTA:
  
  
Fotos: Michel Jesus/Câmara dos Deputados
  
  

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Esporte debaterá atual situação do atletismo brasileiro e o futuro da modalidade

       
Da Agência Câmara
   
A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados realiza nesta terça-feira (5) uma audiência pública para discutir a atual situação da Confederação Brasileira de Atletismo e o futuro da modalidade.
   
Para o deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), que solicitou o debate, o atletismo brasileiro vive um período de turbulência na sua gestão e governança, recentemente agravada pelas denúncias de fraude que culminaram na renúncia do ex-presidente da Confederação José Antônio Martins Fernandes.
  
“No aspecto técnico, apesar de tímidos avanços nos últimos anos, os resultados do atletismo brasileiro estão aquém do volume de recursos investidos na modalidade nas últimas décadas”, disse Jordy. “Cabe a esta comissão examinar essa situação e debater formas de melhoria na gestão de recursos e na governança das entidades dirigentes do atletismo brasileiro, uma vez que há recursos públicos investidos na modalidade”, acrescentou.
   
Foram convidados para discutir o assunto com os deputados, entre outros:
- o CEO da Confederação Brasileira de Atletismo, Martinho Nobre dos Santos;
- o secretário de Controle Externo da Educação, Cultura e do Desporto do Tribunal de Contas da União, Ismar Barbosa Cruz;
- o representante da organização Atletas pelo Brasil Arnaldo Oliveira;
- o treinador de atletismo João Sena;
- o diretor Jurídico da Associação Desportiva Atletismo Brasil (ADAB), Wlamir Motta Campos; e
- representantes do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico do Brasil (COB).
  
Confira a lista completa de convidados.
  
Participação popular
  
A audiência, que será interativa, está marcada para as 14h30, no plenário 4. Os interessados poderão participar enviando perguntas, críticas e sugestões para o portal e-Democracia.