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sexta-feira, 9 de março de 2018

ARTIGO - É preciso taxar os bancos

   
* Arnaldo Jordy
   
Nesta semana, a direção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) admitiu, em audiência com representações de consumidores, que o peso das tarifas no Brasil está atingindo “níveis preocupantes”. Eu diria que os níveis são exorbitantes e têm sacrificado sobremaneira a população, muitos deles acossados pelo desemprego, que atinge 12 milhões de brasileiros e expõe a face mais cruel da crise escancarada desde 2014, no governo de Dilma Rousseff.
   
Os paraenses conhecem bem a política tarifária injusta para energia. Aqui pagamos uma das tarifas mais caras do mundo, mesmo morando em um Estado produtor e exportador de energia hidrelétrica. O mesmo pode ser dito sobre os preços dos combustíveis e do gás de cozinha. O botijão teve, em 2017, a maior alta em 15 anos. A gasolina e o diesel dispararam com a política da Petrobras de repassar para o consumidor os impactos sazonais e variações externas nos preços do petróleo.
     
Isso mostra que o governo federal tenta sair do buraco da crise sacrificando o lado mais fraco, o das pessoas comuns, que já pagam a 5ª maior carga fiscal do planeta, muito mais que os bancos, em proporção aos seus parcos rendimentos. E agora, com a privatização da Eletrobras em curso, a lógica do lucro sobre o bolso do consumidor deverá ganhar contornos ainda mais preocupantes. Enquanto isso, o governo federal abre mão de R$ 238 bilhões em incentivos fiscais no Orçamento de 2018.
    
Então, como enfrentar o déficit fiscal de 170 bilhões de reais ao ano, que está na razão direta de todos esses arranjos econômicos que afetam o cidadão comum? A saída pelos empréstimos está fora de cogitação, pelo endividamento estratosférico que o Brasil apresenta. A receita é letal: a dívida é paga com juros, com o governo tendo um gasto ainda maior para quitá-la, o que resulta no aumento do rombo. 
   
Economistas da USP informam que, este ano, os cinco maiores bancos do país terão lucro líquido total de 120 bilhões de reais. Por que não taxar excepcionalmente esses lucros para cobrir o rombo do país, cujo déficit primário, em doze meses, até janeiro, é de 100,3 bilhões, equivalentes a 1,53% de todo o PIB do Brasil.
   
Uma reforma tributária viria a calhar, neste momento, para propor uma solução parecida com a que foi adotada na Hungria, em 2010, quando o primeiro-ministro, Viktor Orban, em vez de aumentar o seu endividamento para tapar o rombo, que acabaria ainda maior pelo pagamento de juros dessa dívida, num ciclo vicioso que o Brasil conhece bem, resolveu incentivar a atividade produtiva, pela sua capacidade de gerar empregos e movimentar a economia, e anunciou um imposto especial, válido por três anos, sobre o setor bancário, depois de constatar que este havia sido o setor que mais havia lucrado nos anos anteriores.
   
Os bancos foram convencidos a contribuir com esse esforço nacional, para que o país saísse da crise. Ao salvar a economia com a taxação extra, a Hungria criou condições para que as empresas pudessem buscar crédito nos mesmos bancos que foram taxados e que recuperaram, no médio prazo, o sacrifício feito naqueles três anos.
   
No Brasil, bastaria que o país regulamentasse o que diz a Constituição de 1988, que instituiu a taxação sobre grandes fortunas, que nunca saiu do papel. Sem isso, quem ganha menos no Brasil acaba pagando mais imposto, já que a maior parte dos tributos, 56% deles, é cobrada de forma direta, embutida nos preços dos produtos e serviços, que consomem uma parcela bem maior dos rendimentos dos que ganham menos. Uma queda no desemprego já seria suficiente para aumentar a arrecadação e fazer o país sair da crise em que continua atolado e recuperaria a capacidade de investimento do governo nas obras de infraestrutura que o país precisa e no bem-estar da população.
   
  
* Arnaldo Jordy é deputado federal - PPS/PA
   
  

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Enquanto desemprego acelera, Planalto gasta tempo com defesa de Temer, afirma Jordy

     
   
Do Portal PPS
     
Enquanto o Palácio do Planalto se mobiliza para resolver a situação da crise política envolvendo diretamente o presidente da República, que se fragilizou após as revelações trazidas a público com a delação dos donos da JBS, a economia volta a mostrar resultados negativos. A opinião é do líder do PPS na Câmara, deputado federal Arnaldo Jordy (PA), ao comentar os novos números do desemprego no país.

De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego no país foi de 13,6% no trimestre encerrado em abril. Hoje, segundo o levantamento, são 14 milhões de brasileiros sem trabalho.

Foi a pior taxa de desemprego para o período desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. O número aferido agora pelo Instituto significa uma alta de 1 ponto percentual com relação ao trimestre encerrado em janeiro.

“Há 15 dias, percebemos uma série de movimentações, articulações e manobras vindas do Palácio do Planalto, mas todas elas visando apenas salvar o mandato do presidente da República, desde que as delações dos donos da JBS vieram à tona. Enquanto isto, o país sai dos trilhos. É bom lembrar que estes resultados do desemprego são frutos de uma política econômica desastrada adotada nos últimos anos do governo do PT, mas a atual gestão, em função da crise política, não tem dado sinais para reversão deste quadro”, avaliou Arnaldo Jordy.

O deputado do PPS defende que haja uma mobilização das instituições, principalmente do Congresso Nacional, para tirar o país do lamaçal em que foi jogado novamente.

“Os dias passam, as contas vencem, alguns perdem o emprego, e não se encontra uma solução para o impasse na classe política que impacta diretamente no campo econômico-social. É preciso reagir rapidamente a isto”, acrescentou o parlamentar.

Na avaliação do deputado Jordy, a solução para a crise política pode surgir se houver um “gesto de grandeza” do presidente da República e ele renunciar ao mandato.
  
  
Foto: Robson Gonçalves
  
  

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

ARTIGO - Ajuste fiscal não pode sacrificar a saúde e a educação

  
* Arnaldo Jordy
  
A discussão da PEC 241 tomou conta dos noticiários e redes sociais no Brasil. Foram muitos os debates e as polêmicas em torno do tema, mas uma coisa é indiscutível: a necessidade de se fazer o ajuste fiscal no país, devido à irresponsabilidade dos governos Lula e Dilma com as contas públicas. É inevitável promover o equilíbrio das contas públicas e para isso, se faz necessário cortar despesas para acomodá-las às receitas ou cobrir gastos com mais arrecadação. Sem isso, a dívida pública continuará expandindo-se até o ponto do calote ou da sua redução, em termos reais pela via socialmente deletéria da inflação. Os dois cenários tem uma só consequência: o agravamento do conflito distributivo brasileiro, penalizando ainda mais os mais pobres da sociedade.
   
No momento, a ampliação de receitas pelo aumento ou criação de novos impostos não está em pauta, e seria um absurdo numa sociedade que gasta 36% do seu PIB com a carga tributária e fiscal. A PEC 241, apresentada pelo governo, é uma estratégia de contenção dos gastos em todas as esferas públicas, com rebatimento direto no investimento em serviços públicos (construção de escolas e hospitais; melhorias em rodovias, portos e aeroportos; ampliação da malha ferroviária), e no orçamento com pessoal (contratação de policiais, médicos e professores) e demais aplicações. A irresponsabilidade fiscal dos governos anteriores produziu uma conta que será paga por todos.
   
Além disso, a crise produz ainda danos que já sentimos na pele nos últimos anos: aumento da inflação; rebaixamento do grau de risco para investidores; alta na taxa básica de juros (Selic); dificuldades no gerenciamento da política monetária nacional, fatores que agravaram a crise econômica (desemprego, instabilidade, perda de direitos trabalhistas e previdenciários, dentre outros).
   
Este ano, o desemprego no Brasil superou os 10%. São mais de 12 milhões de desempregados em decorrência da recessão. O déficit fiscal, que é o número que mostra o quanto as despesas superam as receitas, fechou em R$ 170,5 bilhões este ano. Em 2015, o déficit já havia sido de R$ 115 bilhões. Tudo isso era impensável em anos anteriores. Sem dinheiro para pagar os juros da dívida pública, o governo viu essa conta se descontrolar, chegando a comprometer 68% do PIB. Em 2015, o Brasil pagou R$ 522 bilhões apenas em juros e serviços da dívida pública.
   
Embora tentem agora empurrar o ônus da impopularidade dessas reformas para seu antigo aliado, Michel Temer, foi o segundo governo de Dilma que propôs o ajuste fiscal, com duros apertos nos gastos públicos. Não por um acaso, a queda do apoio popular de Dilma poucos meses após sua eleição, em 2014, se deveu ao "estelionato eleitoral" do governo, que, para ganhar as eleições, convenceu a população de que tudo estava bem nas contas públicas, adiando de forma criminosa as reformas necessárias.
  
Falo isso para afirmar que é imprescindível promover o ajuste das contas públicas, equilibrar receita e despesa, reduzir a dívida pública, proporcionar as condições para a queda dos juros e da inflação e restituir a confiança ao empresariado, para que haja a queda do desemprego. O desempenho ruim da economia derruba a arrecadação e gera um círculo vicioso recessivo. A discussão agora é, como e onde ajustar. Essa é uma escolha que elege quem perde mais e quem perde menos. E em nosso entendimento, não podemos penalizar a população menos assistida, principalmente em áreas como saúde e educação.
   
Com a aprovação da PEC 241, haverá queda do investimento em educação na ordem de R$ 58 bilhões em dez anos (até 2026), segundo estimativa da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Em relação à saúde, a estimativa de desinvestimento é de R$ 75 bilhões no mesmo período, segundo estimativa do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde.
   
Não podemos aceitar que a saúde pública pague essa conta. O SUS já está na "UTI" e não pode sofrer tal volume de cortes. Da mesma forma, o Brasil, que ocupa o 83º lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mundial, não pode frear, nem desestimular investimentos na educação pública.
   
Outras escolhas são possíveis? Claro que são. Por que não cortamos gastos no orçamento dos legislativos, do Judiciário, dos tribunais de contas? Por que não fazemos uma auditoria da dívida pública, para redução dos juros e amortizações que consumiram em 2014, 45% do orçamento executado da União, contra, 3,7% gastos em educação e 4,0% em saúde? Sem isso, jamais poderia votar a favor da PEC 241 da forma como foi apresentada. Afirmando minha história e princípios políticos, votei contra!
  
  
* Arnaldo Jordy é deputado federal pelo PPS/PA
   
  

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Jordy critica proposta da CNI de aumento da jornada de trabalho

  
O deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA) se posicionou de modo radicalmente contrário às sugestões do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de aumento da jornada de trabalho e de flexibilização de leis trabalhistas, contra a crise econômica que assola o País desde o governo anterior, de Dilma Rouseff.
    
Para Jordy, conquistas históricas que vêm da Constituição de 1988 não podem ser abandonadas, assim como devem ser preservados os ganhos históricos de sindicatos e centrais sindicais ao longo de anos. A proposta que amplia a jornada para 60 ou 80 horas, para Jordy, é no mínimo caricata, e não ajuda em nada na luta contra o desemprego, que já atinge quase 12 milhões de brasileiros.
  
“Para trazer essas propostas de outros países para o Brasil, teríamos no mínimo que nos igualarmos a eles também em condições salariais”, disse Jordy, após lembrar que o salário mínimo brasileiro é muito abaixo do francês ou norte-americano.
  
Confira o vídeo abaixo, ou caso seu navegador não o abra automaticamente, veja aqui https://youtu.be/nrB-Hbk_BkQ
  
  
  
Por: Assessoria Parlamentar
      
  

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Para Jordy, desemprego histórico é mais uma das faces perversas do governo Dilma

  
Do Portal PPS
  
O vice-líder do PPS na Câmara, deputado Arnaldo Jordy (PA), avaliou nessa quarta-feira (20) que a taxa de desemprego registrada no país no último trimestre entristece a todos e que é mais uma das faces perversas do governo de Dilma Rousseff.
  
Divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Mensal mostrou que o nível de trabalhadores que perderam o emprego aumentou mais uma vez e ficou em 10,2% no período entre novembro de 2015 e fevereiro de 2016.
  
O resultado é o pior da série iniciada em 2012. A população desocupada totalizou 10,4 milhões no período e cresceu mais de 40% em um ano.
  
“Este é um dado que deixa o Brasil triste. O desemprego é mais uma das faces perversas do governo de Dilma que também atinge recordes em outras áreas. A gestão dela foi a que mais pagou recursos aos banqueiros. Basta ver os juros da dívida pública federal que chega a 68% do nosso PIB. Ela é candidata com grande potencial a levar um troféu por ter conseguido alcançar grandes registros negativos na história econômica do país”, afirmou o parlamentar paraense.
  
Para Jordy, a saída de Dilma da presidência da República, pelo impeachment, deverá produzir efeitos positivos no campo econômico, já que a petista não tem credibilidade alguma. E que o PPS deverá pressionar para que a questão do emprego seja uma das prioridades da nova gestão.
  
Pauta pós impeachment
  
Arnaldo Jordy criticou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) que, nesta quarta-feira, disse que haverá uma paralisia no Congresso Nacional até que o Senado decida se a presidente da República, Dilma Rousseff, será ou não afastada do cargo.
  
Na avaliação do deputado do PPS, manter a Câmara parada pode interessar principalmente o peemedebista que é alvo de um processo de cassação no Conselho de Ética da Casa.
  
“Há matérias como a PEC da Saúde (1/2015) que aumenta o repasse de recursos da União para serviços de saúde e que pode perfeitamente ser concluída na Câmara. Espero que os líderes não aceitem esta tese de paralisar os trabalhos”, disse Jordy.
  
  
Foto: Robson Gonçalves