terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Jordy faz discurso onde trata do tráfico de pessoas na região Norte

 
Leia o discurso do deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), na Tribuna da Câmara Federal, feito hoje (19), onde trata do tráfico de pessoas na região Norte.
   
 
Assessoria de Comunicação
Gabinete Dep. Arnaldo Jordy
jordycamara23@gmail.com
(61) 3215-1376 / 8276-7807
   
  
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,
  
 
A denúncia é talvez o mais importante instrumento de que dispõe a sociedade para chamar a atenção da imprensa e das autoridades para qualquer situação que fira seus direitos. E no caso do tráfico de pessoas, fica provado que denunciar é essencial, é fundamental, é importantíssimo, já que este é um crime difícil de se desvendar, diferentemente do assalto, do assassinato ou do furto. Isso por causa da forma peculiar de agir das quadrilhas especializadas.
 
As mais recentes prisões de acusados e libertações de vítimas do tráfico mostram que um telefonema ou uma carta anônima foram decisivos para o desmantelamento de algumas redes. A CPI, criada nesta Casa e presidida por mim, acompanha, age e tem um retrato desta triste realidade. Realidade mostrada também pela Pesquisa Sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual (Pestraf) que contabilizou 131 rotas internacionais e 110 domésticas dentro do nosso país. É um levantamento desenvolvido pela Universidade de Brasília e pelo Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Criança e Adolescente.
 
A mesma pesquisa detectou que o estado do Amazonas, na Região Norte, detém a triste estatística de ser aquele que mais tem rotas internacionais de tráfico de pessoas.
 
Pessoas, principalmente mulheres, movidas por sonhos e promessas de uma vida melhor em outros países, são vendidas ou raptadas pela rede internacional de tráfico. Reside aqui talvez a principal dificuldade para que as autoridades descubram rapidamente a ocorrência deste crime. Mas não se pode também admitir que o tráfico de pessoas é de todo algo que não se preveja.
 
Vejamos por que: as rotas são estrategicamente construídas a partir de cidades que estão próximas as rodovias, portos, aeroportos, hidrelétricas, que são pontos de fácil mobilidade e pontos de atração de grandes massas populacionais. Na maioria das vezes as rotas se originam do interior dos estados em direção aos grandes centros, ou como mais recentemente de estados do sul do país para estados da região Norte, onde hidrelétricas estão sendo instaladas.
 
Ainda conforme dados da Pestraf, na Região Norte há fortes indícios de que as rotas possuem conexões com o crime organizado, sobretudo com o tráfico de drogas, mais especificamente, nos estados de Roraima, Acre e Rondônia; com a falsificação de documentos, nos estados de Roraima e no Amazonas.
 
Na Amazônia o tráfico humano é favorecido pelas fronteiras extensas com sete países, pelo isolamento, pela infraestrutura precária e a migração caótica, causado por projetos de hidrelétricas, mineração e garimpos.
 
No caso do Pará, meu estado, a situação não é diferente, especialmente na área das usinas hidrelétricas.
 
Com o início das obras da Hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu, os impactos e violações de direitos na vida do povo da Região de Altamira tem se agravado. As condicionantes legais exigidas sequer foram cumpridas pelo Governo Federal, o que levou o Ministério Público Federal a ingressar com 14 (quatorze) ações de embargo da obra, que, além de desrespeitar e violar os direitos dos atingidos pela obra, dos trabalhadores e dos moradores da cidade, tem causado danos ambientais irreversíveis.
 
No último dia 13 de fevereiro, uma jovem de 16 anos conseguiu fugir de um prostíbulo no canteiro de Pimental, localizado dentro da área desapropriada para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Esse fato provocou o Conselho Tutelar e a Polícia Civil de Altamira a se descolarem até o local onde foram encontradas 14 mulheres em condições semelhantes. A Polícia Civil resgatou, além da adolescente, quatro meninas e uma travesti na boate. As demais disseram ter muito medo de retaliações, uma vez que o dono da boate teria ameaçado seus familiares que moram no Sul.
 
A polícia informou ainda que as mulheres libertadas em Vitória do Xingú saíram de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, já chegando à boate devendo o valor da passagem para os traficantes. Presas, elas eram obrigadas a fazer programas para devolver o valor cobrado. Porém, como cada item - desde roupa até alimentação - eram cobrados, essa dívida acabava ficando cada vez mais alta. A CPI do Tráfico de Pessoas no Brasil já pediu, inclusive, a convocação de dois homens presos durante esta operação.
 
Segundo reportagem da Revista Época e assinada pelo jornalista Verena Glass, do dia 14 deste mês, o dono da Boate Xingu que traficava e explorava sexualmente a menina e as mulheres é um ex-barrageiro e também tinha outro estabelecimento nas proximidades das construções da Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, portanto sendo reincidente nessa prática criminosa.
 
Destaco ainda, que desde o início da construção da Hidrelétrica de Belo Monte, essa situação vem sendo prevista, entretanto o Governo Federal, responsável pela obra, não tomou as providências necessárias, não oferecendo o mínimo de estrutura social para as pessoas que ali residiam ou que para ali se dirigiram em busca de uma vida melhor. Infelizmente a omissão do governo colaborou para a vulnerabilidade daquelas mulheres libertadas na Boate Xingu.
 
Apesar das denúncias realizadas por movimentos sociais que tratam de situações que envolvem exploração sexual de mulheres nos grandes projetos implantados na Amazônia, o caso de Altamira chocou as entidades que estão ligadas aos direitos humanos, e que combatem a exploração de mulheres e crianças.
 
Quando digo que o fato já estava anunciado é porque redes de exploração sexual contra crianças e adolescentes instaladas há anos em Altamira foram enfrentadas antes que se desse início às obras de Belo Monte.
 
Para que as mulheres, não só da Região Norte, deixassem de ser alvo fácil das redes nacionais e internacionais de tráfico, seria necessário um modelo de desenvolvimento nacional que valorizasse o trabalho feminino. E acima de tudo é preciso que as pessoas continuem denunciando, pois estaremos fazendo o mesmo daqui quando notarmos o mínimo de omissão de qualquer que seja o ente da federação e no que depender da CPI ela agirá com todo o rigor para tentarmos acabar com estas lamentáveis estatísticas.
  
 
Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.
 
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

CPI pedirá convocação de acusados de tráfico de jovens catarinenses para o Pará

  
Do Portal PPS
 
O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara que investiga o tráfico de pessoas, deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), informou nesta quinta-feira (14) que pedirá a convocação de dois homens presos durante operação das polícias Militar e Civil que libertou entre 12 e 15 jovens de um prostíbulo em Altamira, no Pará.

Entre as mulheres, mantidas em cárcere privado, estavam cinco catarinenses que foram recrutadas em seu estado de origem, sob a promessa de ganhos altos para trabalharem em uma boate. O prostíbulo fica próximo ao canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte – empreendimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
 
De acordo com o Conselho Tutelar local, as meninas eram obrigadas a se prostituir e muitas chegaram ao local já devendo R$ 3 mil reais. “Este é mais um exemplo de que as quadrilhas especializadas neste tipo de crime não dão trégua. E, especificamente, no caso de Altamira, o tráfico humano, a prostituição, estavam bem próximos de um empreendimento do governo federal. Temos notícia do Conselho Tutelar de que o número de bordéis quadriplicou após a instalação deste canteiro de obras”, disse Arnaldo Jordy.
   
O parlamentar acrescentou que houve um aumento do fluxo migratório masculino para a região onde está sendo erguida a usina e que não houve planejamento para evitar, por exemplo, a proliferação do alcoolismo, do tráfico de drogas e da prostituição.

Convite

O presidente da CPI informou ainda que a comissão também apreciará um requerimento com convite às jovens libertadas em Altamira para que prestem esclarecimentos. O objetivo, segundo Jordy, é colher e reunir informações que possam servir para que se aperfeiçoe a legislação em vigor.
 
Agenda
 
Na quinta e sexta-feira da próxima semana (dias 21 e 22), um grupo de membros da CPI do Tráfico de Pessoas viaja até a Bahia para realizar diligências e audiências públicas. Em Salvador, está preso um casal acusado de enviar mulheres para a prostituição na Espanha.
 
 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

CPI do Tráfico Humano pode ir à Paraíba investigar desaparecimento de Fernanda Ellen

 
Fonte 
  
O deputado federal, Arnaldo Jordy (PPS/PA), que é presidente da Comissão Parlamentar Institucional do Tráfico Humano, afirmou na manhã desta sexta-feira (8) que pode entrar na investigação do desaparecimento da criança Fernanda Ellen, de 11 anos, que sumiu no dia 7 de janeiro quando saiu de casa para ir a escola.
  
Jordy afirmou que tomou conhecimento do caso e fez um alerta: “O crime de tráfico de pessoas, muitas vezes está escondido nessas listas de desaparecidos. Essas pessoas que somem sem explicação, muitas vezes são capturadas por organizações nacionais ou até internacionais que operam para fins de exploração sexual, de adoção ilegal”.
 
O deputado afirmou que a CPI está aguardando que a Secretaria de Segurança passe todas as informações já adquiridas. “O Major Fábio nos informou do caso e nós tomamos interesse pelo caso imediatamente. O deputado Luiz Couto (PT), que é vice-presidente da CPI, também já tinha comentado sobre o caso”, contou.
 
O presidente da CPI ainda elogiou a Secretaria de Segurança do Estado da Paraíba. “Me parece que o Estado destacou um delegado para cuidar especialmente desse caso e eu tenho que parabenizar isso, porque é um caso realmente que merece toda atenção. Só a investigação detalhada e com afinco vai esclarecer o paradeiro dessa menina”.
 
Jordy ainda afirmou que a CPI pode vir à Paraíba para auxiliar na investigação. “Se for necessário, se pudermos fazer uma diferença, não vejo porque não. Por enquanto creio que não seja necessário. Acredito que as autoridades paraibanas farão de tudo para esclarecer esse caso”, concluiu.
 
 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ossadas da Guerrilha do Araguaia: deputado busca informações sobre processo de análise

   
O deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA) deu entrada na mesa da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (6), de um requerimento de informações dirigido ao Ministério da Justiça, acerca do processo de análise das ossadas dos mortos na chamada Guerrilha do Araguaia, que ocorreu no sul do Pará no início dos anos 70.
  
O parlamentar oficiou ao Ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, para saber como anda o processo de análise, já que parentes dos desaparecidos políticos esperam há anos pelos resultados do trabalho de busca e identificação dos restos mortais. Somente 7 corpos foram identificados desde 1990, quando valas e cemitérios clandestinos começaram a ser identificados. Antes desta data algumas ossadas foram identificadas, entretanto não existem registros.
    
Conforme dados da Comissão de Familiares de Mortos de Desaparecidos, 25 ossadas do Araguaia estão hoje em Brasília, à espera de exame dos peritos; cerca de 1.000 ossadas extraídas em 1990 da Vala de Perus estão armazenadas no cemitério do Araçá, em São Paulo.
  
Segundo Arnaldo Jordy, é importante que a sociedade saiba qual providencia estão sendo tomadas para que as ossadas sejam identificadas, bem como quais as dificuldades que estão sendo encontradas neste processo, pois “até que sejam identificadas e entregues aos parentes para que tenham enfim devido descanso, familiares aguardam angustiados há mais de 30 anos”, afirmou. Jordy solicitou uma previsão para que os laudos que estão em análise possam ser divulgados.
     
A última vez que um desaparecido político foi identificado foi em julho de 2009, seu nome é Bergson Gurjão Farias, que lutou na Guerrilha do Araguaia e teve o corpo localizado em 2006, no cemitério de Chambioá. A Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos diz de dos 400 mortos por agentes do regime, cerca de 150 foram considerados desaparecidos, isto é, o corpo nunca foi entregue aos familiares.
    
A Guerrilha do Araguaia foi um movimento político do começo da década de 70, que surgiu para enfrentar a ditadura militar. Desde 1991, a comissão de Mortos e Desaparecidos da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), em seguidas expedições, procura os corpos de 64 guerrilheiros desaparecidos. Agora, em vez de 25 ossadas, oficialmente são 23 sob sua tutela, guardados numa sala-cofre do Hospital Universitário da Universidade de Brasília.
  
 
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Gabinete Dep. Arnaldo Jordy
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

CPI vai investigar esquema de prostituição na bahia


A TV PPS entrevistou o deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA) acerca das ações da CPI do Tráfico de Pessoas que deve ir a Bahia no final deste mês para tratar do caso da prisão de um casal e das adoções ilegais de crianças em Monte Santo.
 
 
 
 
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

CPI do Tráfico de Pessoas vai ouvir casal preso em Salvador pela Polícia Federal

  
Por Karine Melo
Da Agência Brasil
        
Brasília - Na primeira reunião depois do recesso parlamentar, a comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Câmara que investiga o tráfico de pessoas definiu um cronograma de viagens e votou requerimentos de convocação. Entre os documentos aprovados nesta terça-feira (5) está o que pede a convocação de Denílson Pereira Reis e Elizânia Evangelista. A dupla, presa em Salvador pela Operação Planeta da Polícia Federal na quarta-feira (30), é acusada de aliciar brasileiras para trabalhar na Espanha.
     
O local e a data desses depoimentos devem ser marcados depois do carnaval. Além da oferta de emprego, as mulheres recebiam passagem aérea e dinheiro para despesas pessoais. O casal de aliciadores trabalhava para o espanhol Bermudez Motos, conhecido como cigano. Ele é dono de uma casa de prostituição em Salamanca, na Espanha. Segundo a Polícia Federal, ao chegar ao território espanhol, as mulheres eram surpreendidas e submetidas à situação degradante de moradia e trabalho. Elas também eram informadas de que a dívida pelas despesas seria cinco vezes maior.
  
O presidente da CPI, deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), autor do requerimento, disse que teve informações de que a brasileira Raquel Gomes Nunes, mulher do dono da casa de prostituição fechada em Salamanca, está em São Paulo e, por isso, ainda sem data prevista, a convocação dela também foi aprovada.
 
Motivada por uma denúncia recebida pelo Ligue 180, da Secretaria de Política Para as Mulheres da Presidência da República, a Operação Planeta, teve ações simultâneas no Brasil e na Espanha. Em território espanhol, além de prisões, foram fechadas duas casas de prostituição.
  
Outro requerimento aprovado pela CPI nesta terça-feira foi a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico da empresária Raquel Felipe, dona da Raquel Models, de São José do Rio Preto (SP). Com a promessa de oferecer às mulheres trabalho como modelo, Raquel é acusada de mandar três brasileiras para Nova Delhi, na Índia. Em depoimento à CPI, elas contaram que lá foram mantidas em cárcere privado e em condições degradantes.
 
No calendário de diligências que serão feitas pela CPI já estão confirmadas idas a Salvador, ao Acre e a São Paulo. As três viagens serão feitas no final de fevereiro e início de março.
  
 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Tráfico de Pessoas: Jordy pede convocação de casal preso em Salvador

   
Do Portal PPS
Por
William Passos
  
A Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara que investiga o tráfico de pessoas convocará o casal preso esta semana em Salvador, acusado de enviar garotas para a Europa para exploração sexual. A informação é do presidente da CPI, deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), que já pediu, nesta quinta-feira (31), para elaborar um requerimento para ouvir o homem e a mulher presos pela Polícia Federal, cujos nomes ainda não foram divulgados.
     
De acordo com a PF, o casal convencia jovens baianas a irem trabalhar em casas de show nas cidades espanholas de Salamanca e Ávila. Cinco brasileiras foram libertadas com a descoberta da quadrilha e estão sob custódia das autoridades da Espanha.
 
Segundo o presidente da CPI, é preciso ouvir os acusados, para saber a extensão desta rede criminosa. “Os detidos têm muito a informar à comissão sobre como operava o esquema e se há o recrutamento de jovens em outras unidades da federação”, disse. 
 
Arnaldo Jordy também vai solicitar formalmente à Polícia Federal relatório detalhado sobre as prisões efetuadas, durante a Operação Planeta, e sobre a participação de outra brasileira, que está na Espanha, e que faria parte do esquema de tráfico internacional de pessoas.
 
A próxima reunião da CPI está marcada para quarta-feira (6).
  
Importância da denúncia
   
O deputado lembrou que assim, como em outros casos, a prisão do casal em Salvador só foi possível por causa de uma denúncia anômima.
  
“Sem a participação da sociedade fica difícil atuar contra estas quadrilhas, daí a importância da denúncia. Este é um crime muito disfarçado e que acontece, geralmente, acompanhado de extorsão e chantagem”, acrescentou.
   
A CPI do Tráfico de Pessoas tem um canal também para receber denúncias. Por telefone, elas podem ser feitas pelo número: (61) 3216-6275 ou pelo email: cpitraficodepessoas@camara.leg.br