terça-feira, 12 de junho de 2012

Serra Pelada: contrato entre cooperativa e empresa canadense é questionado em audiência na Câmara

 
     
Brasília/DF - Acusações e tentativas de explicações marcaram a audiência pública que tratou do polêmico contrato entre a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada - Coomigasp e a Colossus Geologia, acordado para a reativação da exploração da principal mina de Serra Pelada, no sul do Pará. Promovida pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional e proposta pelo deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA), a audiência realizada nesta tarde (12) no auditório Nereu Ramos, contando com a presença de lideranças e garimpeiros oriundos do Pará, Maranhão e Rondônia, interessados no desenrolar de uma história que envolve milhões de reais em ouro, platina e paládio no subsolo paraense.
     
Insatisfeitos, os garimpeiros questionam vários itens do Termo de Acordo de Conduta (TAC) firmado entre as partes, principalmente acerca da atual divisão dos lucros da produção. Pelo acordo, a empresa canadense ficará com 75% dos lucros e os garimpeiros com apenas 25%. Para as lideranças dos garimpeiros, houve má fé na formulação dos contratos e ausência de clareza para com os sindicalizados, que somam mais de 40 mil trabalhadores.
 
Walter Lins Arcoverde, diretor de Fiscalização do Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM, em sua fala apresentou as benfeitorias que estão sendo realizada pela Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento, empresa criada pelo acordo entre a Coomigasp e a Colossus. Para o DNPM, a mina de Serra Pelada tem capacidade prevista de produção de 3 toneladas de minério/ano, para até 11 anos de extração.
 
O delegado federal Wellington Clay, Chefe da Divisão de Repressão a Crimes contra o Meio-Ambiente e Patrimônio Histórico afirmou em sua participação que a Polícia Federal está atenta quanto às denúncias de exploração de minério em áreas de parques nacionais, na região de Serra Pelada.
 
Daniel Villas Boas, representante da mineradora Colossus, apresentou todos os contratos e aditivos assinados entre a empresa e a Coomigasp. Para Villas Boas, os contratos são legais e não apresentariam qualquer irregularidade, pois foram firmados em assembleias, com a participação dos garimpeiros.
     
 Não é o que pensa o deputado Arnaldo Jordy, para o qual os contratos são desleais. “É uma relação de sangria, vampiresca, contra humildes trabalhadores. Estamos assistindo uma relação de promiscuidade entre a Coomigasp e uma multinacional canadense, onde diretores estão ricos enquanto muitos trabalhadores estão até este momento da audiência, por exemplo com fome, sem almoço”, enfatizou o parlamentar paraense, que esteve há poucas semanas em Curionópolis (PA), em audiência pública que contou com mais de 2 mil garimpeiros, e onde foi testemunha da situação que muitos estão passando.
 
As lideranças dos garimpeiros se revezaram em seus pronunciamentos, apontando os desmandos da Cooperativa, como denúncias de assembleias maquiadas, de fachada, de contratos realizados sem a necessária transparência, de conivência criminosa do Ministério de Minas e Energia, bem como de manipulação de garimpeiros. Denúncias estas que foram gravadas e serão apuradas pela Comissão.
 
Ao final da audiência, foi tomada a decisão de realizar de uma nova audiência em Serra Pelada, desta feita com a participação da polícia federal, do Ministério Público Estadual e Federal, além Tribunal de Justiça, com data ainda a ser agendada.
 
Histórico 
Uma concessão de fevereiro de 2007 permitiu à Coomigasp o direito de explorar a mina principal de Serra Pelada. Por meio de concorrência, a cooperativa aceitou a proposta da Colossus, a qual entraria com capital e tecnologia e a cooperativa cederia seus direitos sobre a mina. Inicialmente a mineradora teria participação de 51% e o compromisso de repassar à cooperativa prêmios baseados na reserva de ouro aceita e aprovada pelo DNPM. Atualmente a participação da Colossus já estaria, devido a investimentos financeiros previstos em contratos, em 75%.
 
 
Assessoria de Comunicação
Gabinete Dep. Arnaldo Jordy
(61) 3215-1376 / 8276-7807
 
 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Polêmica de Serra Pelada é tema de audiência em Brasília

  
Brasília/DF - Após reunir mais de 2.000 garimpeiros no dia 11 de abril em Curionópolis (PA), para debater a parceria entre a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) e a canadense Colossus Geologia - empresa responsável em garantir a estrutura para a lavra mecanizada do minério de ouro, de paládio e de platina nas principais minas de Serra Pelada –, uma nova audiência pública será realizada, desta feita em Brasília, onde os questionamentos serão apresentados e debatidos com autoridades federais. O debate acontecerá no âmbito da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional e foi proposto pelo deputado federal Arnaldo Jordy (PPS/PA).
   
Os garimpeiros insatisfeitos questionam vários itens do Termo de Acordo de Conduta (TAC) firmado entre as partes, principalmente a atual divisão sobre os lucros da produção. Pelo acordo, a Colossus detém 75% dos lucros e os garimpeiros 25%. Diante das denúncias apresentadas e dos documentos entregues ao deputado Arnaldo Jordy, contendo assinatura de representantes de doze entidades, entre cooperativas e associações de trabalhadores da região, que denunciam fraudes diversas, entre as quais, a realização de assembléias ditas “de fachada”, foi proposta esta audiência pública na capital federal.
   
Foram convidados representantes do Ministério Público, Polícia Federal, do Ministério da Justiça e de Minas e Energia e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de representantes de entidades dos garimpeiros, para debater o tema e para que sejam tomadas as providencias necessárias para garantir um novo ajuste entre as partes do contrato. “Queremos passar a limpo essa história e reparar os direitos desses trabalhadores que, em minha opinião, estão sendo lesados”, justifica Jordy.
    
O presidente da Associação de Defesa dos Garimpeiros de Serra Pelada (Adegasp), João Amaro Lepos, afirmou após audiência em Curionópolis que as injustiças são muitas. “Estamos perdendo direitos conquistados a base de muita luta e muitas mortes de trabalhadores”, declarou. Lepos disse que a situação está insustentável e que já estão em fase de mobilização para a audiência pública em Brasília. “Queremos de fato implantar o projeto geral que prevê uma melhor distribuição de renda entre os garimpeiros e maior participação nos lucros da lavra das principais minas”, comentou o presidente da Adegasp.
   
A audiência acontecerá nesta terça-feira, 12 de junho, às 14h no plenário de comissões da Câmara dos Deputados e diversas caravanas de garimpeiros já estão chegando à capital federal para participarem da audiência.
   
   
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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Em projeto de lei, Jordy aumenta penas e detalha o que é trabalho escravo

 
Do Portal PPS
Por
William Passos
 
Projeto de Lei apresentado nesta terça-feira (5) pelo deputado federal Arnaldo Jordy (PPS-PA) estabelece o que é trabalho em condição análoga à de escravo, além de aumentar as penas para o empregador que for flagrado cometendo tal delito.
 
Na esteira da aprovação, na Câmara, da PEC que expropria propriedades rurais, onde for cometido o trabalho escravo, o parlamentar pretende detalhar que é serviço em condições nocivas ao empregado.
 
O texto elaborado por Jordy prevê, entre outras situações, que é trabalho indigno aquele for executado em locais sem a existência de instalações adequadas como a falta de banheiro, de água potável ou de instrumentos necessários para a proteção da saúde do trabalhador.
 
A restrição de liberdade é outro ponto em que toca o projeto de Lei. O deputado quer acabar com a situação de o empregado ficar “preso” ao empresário por conta de despesas adquiridas no exercício da atividade (alimentação, remédio, entre outros).
 
“A marca aproximada de 40 mil trabalhadores flagrados até 2010 em condições degradantes exigem medidas legislativas ingentes no sentido de recrudescer os dispositivos de repressão e aperfeiçoar os mecanismos de prevenção”, justifica o parlamentar do PPS.
 
A falta sucessiva de pagamento de salário também é considerada trabalho escravo. Jordy também aumentou de oito para quinze anos a pena máxima para quem cometer este tipo de crime.
 
Idosos e crianças 
 
Se for aprovado, o PL estabelecerá que se o trabalho escravo tiver como vítima criança ou idoso a pena para o empregador pode alcançar 20 anos de cadeia.
  
Após passar pelo crivo dos deputados federais, a matéria precisa passar pelo Senado Federal, antes seguir à sanção presidencial.
 
 


Ministro Ayres Britto garante apoio do STF à CPI do Tráfico de Pessoas

  
 

Brasília/DF - Deputados federais, membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as causa e efeitos do tráfico de pessoas no país, foram recebidos em audiência pelo Ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira (5).
 
Os parlamentares apresentaram o plano de ação da CPI bem como solicitaram o apoio da corte na formulação de uma legislação mais eficaz contra este tipo de crime, que em todo mundo afeta mais de 4 milhões de pessoas e onde quadrilhas chegam a faturar anualmente cerca de 32 bilhões de dólares.
 
Segundo Arnaldo Jordy (PPS/PA), presidente da Comissão Parlamentar, a CPI está buscando o diálogo e a parceria com instituições de todos os Poderes, que possam contribuir para o enfrentamento do problema. O Brasil – onde o problema ainda é pouco conhecido e pouco dimensionado – está entre os seis países com maior registro de tráfico humano, que assume diversas formas: a exploração sexual, o mercado clandestino de órgãos e adoção de crianças e o trabalho escravo e o aliciamento de jovens pelo “fetiche do sucesso”, prometido por escolinhas de futebol e agências de modelos, entre outros.
 
Jordy defende a modernização dos instrumentos legais para enfrentar a questão. “A legislação brasileira é obsoleta, defasada e insuficiente, e a sociedade não tem conhecimento da gravidade, da recorrência e da complexidade desse crime, que atinge o bem mais precioso da sociedade que é a vida humana. Não podemos admitir que o combate ao tráfico de armas, de drogas e de outros valores materiais possam ser mais importantes no ordenamento jurídico brasileiro, que o tráfico da vida humana”.
 
O ministro Ayres Britto, afirmou que o STF dará apoio necessário às ações da CPI, e colocou à disposição o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – do qual também é presidente -, para que este faça recomendações aos Tribunais, sobre as atividades da CPI. Ayres Britto também sugeriu a criação de varas especializadas em aeroportos, como um esforço concentrado para enfrentamento e centro de informações acerca deste crime.
 
A deputada Flávia Morais (PDT/GO), relatora da CPI, fez uma solicitação para que seja realizado um levantamento com todos os casos já julgados envolvendo o tráfico de pessoas, que em muitos casos são tipificado erroneamente devido ao desconhecimento das forças policiais e por conta da legislação defasada.
 
Apoios
 
A CPI instalada em março na Câmara dos Deputados tem como objetivo conscientizar, debater e propor formas de combate até mesmo novas Leis para a interrupção deste crime e já conta com o apoio institucional da Polícia Federal, da Ordem dos Advogados do Brasil, da Secretaria de Direitos Humanos, da Secretaria de Assuntos Institucionais da Presidência da República/Sisbin e do Ministério das Relações Exteriores. Só no Brasil foram identificadas mais de 200 rotas de tráfico.
 
 
Assessoria de Comunicação
Gabinete Dep. Arnaldo Jordy
jordycamara23@gmail.com
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terça-feira, 5 de junho de 2012

CPI: especialistas defendem melhoria urgente das leis sobre tráfico de pessoas

 
Da Rádio Câmara
Por Luiz Cláudio Canuto

 
A urgência em aprimorar a legislação contra o tráfico de pessoas foi apontada em audiência pública da CPI do Tráfico de Pessoas.
   
O secretário nacional de Justica, Paulo Abrão, explica que o Código Penal já prevê punição para a exploração sexual, mas esta é apenas uma das várias finalidades possíveis do tráfico de pessoas. O crime pode incluir os crimes de ameaça, uso de força ou coerção, abuso de poder para finalidades como o trabalho escravo, a servidão para pagamento de dívida, o tráfico de órgãos e a adoção de crianças, segundo Paulo Abrão.
 
"Hoje a nossa legislação, ela não dá conta de enquadrar todas as condutas típicas do tráfico de pessoas, o que, evidentemente, limita a ação dos organismos de repressão, do nosso sistema de justiça e também, paralelamente, da nossa política de prevenção e assistência às vítimas."

A necessidade de avanços na legislação ficou evidente com um episódio relatado pelo presidente da CPI, Arnaldo Jordy, do PPS do Pará. Ele contou que um delegado da Polícia Federal não pôde agir diante de um flagrante porque o crime de aliciamento para exploração só pode ser caracterizado quando ocorre a exploração.

"Temos que criar uma legislação mais holística sobre a questão do tráfico humano, o tráfico de pessoas no ordenamento jurídico brasileiro, nas suas diversas modalidades, nos seus diversos aspectos pra fazer frente a essas diversas situações que são novas."

Para uma legislação contra esse tipo de crime, a vice-presidente do Movimento Contra o Tráfico de Pessoas, Cláudia Luna explica que o Brasil tem um norte: o tratado que estabelece o Protocolo de Palermo, ratificado pelo país em 2004, que garante a dignidade das pessoas em condições de tráfico, com direito a programas de inclusão social, socioeconômico estendida a suas famílias.

Desde 2003, está em tramitação projeto (PL 2845/03) que estabelece normas para políticas públicas de prevenção e enfrentamento ao tráfico de seres humanos e regulamenta aspectos civis e penais. A proposta está na Comissão de Constituição e Justiça. A Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas foi implementada pelo governo em 2006. Dois anos depois surgiu o Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. Atualmente está em discussão a segunda edição do Plano. O desafio também é atualizar os dados sobre o tema. Os últimos dados sobre o tráfico de mulheres e crianças, por exemplo, são de 2003. Na época, a pesquisa foi usada como subsídio da CPI Mista da Exploração Sexual, que trabalhou entre 2003 e 2004.
 
 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Discurso de Jordy sobre os Soldados da Borracha

Leia o discurso do deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), na Tribuna da Câmara Federal, onde fala sobre os Soldados da Borracha, legítimos heróis brasileiro.
 
Assessoria de Comunicação
Gabinete Dep. Arnaldo Jordy
jordycamara23@gmail.com
(61) 3215-1376 / 8276-7807

 
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,
   
  
 A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional promoveu audiência pública, da qual fui subscritor, em que se discutiu a PEC nº 556, de 2002, que trata da concessão dos mesmos benefícios concedidos aos ex-combatentes aos "soldados da borracha" - assim conhecidos os seringueiros que contribuíram para os esforços da Segunda Guerra Mundial, na Amazônia.
  
A audiência contou com a presença de Deputados, Senadores, cineastas, representantes do sindicato, do Ministério da Previdência Social, do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério da Fazenda.
     
Os soldados da borracha foram brasileiros, principalmente nordestinos, convocados pelo Governo Getúlio Vargas, através da Comissão Administrativa do Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia (CAETA) ou pelo Serviço Especializado da Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA), para trabalhar na produção de borracha, nos seringais amazônicos, durante a Segunda Guerra Mundial, e atender ao que estava estipulado no Acordo de Washington, entre o Brasil e os Estados Unidos.
   
Cerca de 60 mil trabalhadores foram recrutados entre 1942 e 1945, e mais de 35 mil teriam morrido devido às intempéries amazônicas e às más condições de trabalho. Só como comparação, 465 foi o número total de pracinhas que tombaram na frente de batalha na Itália.
   
Tão logo a Guerra Mundial chegou ao fim, os EUA se apressaram em cancelar todos os acordos referentes à produção de borracha. E, imersos na solidão de suas colocações no interior da floresta, muitos deles nem sequer foram avisados de que a guerra tinha terminado. Só viriam a descobrir isso anos depois. Muitos voltaram para as suas regiões de origem. Porém, estima-se que a maioria se resignou em se estabelecer na Amazônia, mesmo isolados e sem nenhum apoio.
 
O que se busca neste momento, Srs. Parlamentares, é reconstruir a ligação entre o Estado brasileiro e um grupo social marginalizado que clama há muito por justiça e condições de vida dignas, através de pensão previdenciária vitalícia a esses verdadeiros heróis brasileiros, ao mesmo tempo em que se resgata um importante período histórico nacional, que participaram efetivamente da vitória dos aliados ante a ameaça nazista. São cerca de 12 mil aposentados, com idade média de 78 a 95 anos.
 
Portanto, Sr. Presidente, conclamo o apoio e a aprovação, o quanto antes, da PEC 556, que já conta com longos 10 anos de tramitação nesta Casa.

Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.